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O comentador APEDE colocou dois extensos comentários ao meu post anterior.

Tentei responder às dúvidas colocadas no primeiro comentário na caixa de comentários do post. Não foi suficiente, porque o comentador APEDE quer ser esclarecido sobre aquilo que para ele realmente releva – o discurso de Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof e “notório” militante comunista.

Por isso, o comentador APEDE insiste, e quer que o autor deste blogue esclareça a sua posição sobre o discurso do secretário-geral da Fenprof.

Tentarei não o desapontar, mas, face ao elevado grau de exigência da tarefa, não sei se alcançarei tão complexo desiderato.

1. Na primeira resposta que dei, remeti-o para a leitura do meu post intitulado Inaceitável;

2. Imaginei que o que era relevante, do ponto de vista de quem combate uma medida política, era perceber como se fabricam as políticas públicas, identificar os actores nelas envolvidos, procurar perceber as suas lógicas de acção e, em função da análise realizada, procurar a resposta adequada, de forma a maximizar os ganhos e minimizar as perdas do seu próprio campo;

3. Constato que, do ponto de vista do comentador APEDE, o que releva (n.d.a.: é relevante, é determinante) é discutir o discurso do secretário-geral da organização que maior número de professores tem filiados;

4. Aparentemente (embora regularmente jure a pés juntos que nada o move contra os sindicatos) o comentador APEDE está mais preocupado com as “incongruências” que lê no discurso do SG da Fenprof, do que na resolução do problema colocado pela acção política do governo e da administração;

5. Dito isto, convém ainda esclarecer o comentador APEDE que a metáfora dos antolhos não se aplica exclusivamente aos azininos. No contexto do post publicado, a metáfora pretende referir-se a quem tem uma visão de sentido único, não se dá conta disso e passa todo o tempo a criticar terceiros por serem defensores de um alegado pensamento único. Se o comentador APEDE acha que quem está nessa posição é burro, a classificação é sua e não do autor deste blogue;

6. Acresce, como complemento à clarificação do pensamento aqui expresso, que a análise da decisão política à luz da teoria dos “iron triangles” está, nos alvores da segunda década do século XXI, completamente ultrapassada;

7. A acção pública tem que ser analisada numa perspectiva multi-nível e multi-actores, a partir da qual é possível perceber os mecanismos de fabricação das políticas públicas, sejam elas do campo educativo ou de outro campo qualquer;

8. Quer isto dizer que, para perceber o que se está a passar em relação ao aviso de abertura dos concursos, é preciso saber quem fez o quê, com que objectivos, em função de que constrangimentos e procurando reforçar o seu poder em relação a que actores;

9. E vid ente mente que este tipo de análise é pouco adequada ao (i)mediatismo do discurso para consumo das massas e, sobretudo, rende pouco reconhecimento social;

10. Por isso o comentador APEDE prefere insistir na flagelação pública do alvo apetecível, sem curar de entender os contextos da acção.

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