Etiquetas

, ,

O Paulo Guinote é, sem dúvida, um líder que sabe o que os seus combatentes precisam.

Sempre atento ao inimigo, atirou-se à leitura (não sei se integral, se na diagonal) dos documentos preparatórios do 10.º Congresso da Fenprof, que vai decorrer na próxima semana.

Com muito mais arte do que eu tenho para fazer posts engraçados, o Paulo descobriu que a proposta de Plano de Acção apresentada pelo secretariado (que será discutida no congresso) tem, num texto de 42 páginas, com mais de 24.000 palavras e 133.000 caracteres (sem espaços), um parágrafo em que se questiona a postura e o discurso anti-sindical, que perpassa nos textos e intervenções dos movimentos independentes de professores e em diversos blogues mais alinhados com esses movimentos.

Para apimentar ainda mais a coisa, descobriu um erro de concordância, que sublinhou a vermelho, na boa tradição da escola que classifica, mesmo quando não corrige.

Como é evidente, como o Paulo não se considera de forma alguma um activista anti-sindical, deu ao seu post um título a alertar contra o erro das generalizações. Lamentavelmente, esqueceu-se desse cuidado, ao deixar no ar a ideia de que o Plano de Acção que vai ser discutido é contra os movimentos, não referindo a análise política, sindical e histórica que enquadra as numerosas propostas de acção reivindicativa para o próximo triénio.

Duplamente lamentável, na medida em que os temíveis combatentes umbiguistas que fazem a revolução sentados à secretária, teclando nos seus computadores (reb, magrodeserviço, anahenriques, ou Caneta MontBlanc, entre outros), por certo se iriam rever em todas, ou quase todas as propostas que são apresentadas, bem como na análise da situação que lhes dá origem.

Mas o que é verdadeiramente caricato nesta “estória” é que estes combatentes do écran, a que se juntam os campeões da luta dos professores agrupados em torno dos movimentos independentes, ignoram olimpicamente o facto de a Fenprof ser uma federação que agrupa cerca de 60.000 professores, os quais são tão professores como as dezenas, quiçá centenas de combatentes da pantalha; ou ignorarem o facto incontornável de dos 824 delegados que estarão presentes nos próximos dias 23 e 24 de Abril, no Pavilhão da EB 2.3 João de Deus, em Montemor-o-Novo, 650 terem sido eleitos nas suas escolas pelos colegas sindicalizados.

Talvez um pouco mais de respeito, humildade e rigor não ficassem mal, sobretudo a quem tanto clama contra a falta de respeito que há nas escolas.

Anúncios