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Na SIC Notícias existe um programa que faz as delícias de muita gente, sendo uma referência para muitos professores -o Plano Inclinado.

Os seus comentadores residentes, em particular Medina Carreira e Nuno Crato, são reverenciados por muito boa gente, que 36 anos depois de Abril continua a bater a mão no peito e a anunciar aos quatro ventos que a sua política é o trabalho (neste caso ensinar conteúdos e disciplinar as criancinhas, a bem da nação e dos bons costumes).

Quem ouvir estes gurus da cidadania, da economia e da educação a dissertar sobre o futuro do país não consegue levá-los presos.

Verdadeiros “domduartes” da palavra, são mestres, não em cavalgar toda a sela, mas em discursar sobre todo e qualquer assunto, a bem da felicidade dos portugueses, mesmo que nada digam para além de banalidades e futilidades. Sempre ao serviço da economia (a deles, que a dos trabalhadores pouco lhes interessa), vão apresentando aos espectadores o “único caminho possível” – baixar os salários e esperar que a crise passe.

Com um discurso tão afinadinho o que haverá de comum na vida destes oráculos à portuguesa? – Pois é… a economia grande estúpido… são peritos em economia, ou pelo menos estão ligados ao Instituto Superior de Economia e Gestão, verdadeiro alfobre dos mais distintos “afundadores” da democracia portuguesa, entre os quais o nosso queridíssimo presidente.

Henrique Medina Carreira é um fiscalista e político português.

Bacharel em Engenharia Mecânica, iniciou a sua vida profissional como técnico fabril de fundição de aço. Mais tarde ingressou na Universidade de Lisboa, onde se licenciou em Ciências Pedagógicas, em 1954, e em Direito, em 1962. Frequentou ainda o curso de Economia no Instituto Superior de Economia e Gestão, sem o terminar. Dedicou-se à advocacia, à consultoria em empresas e à docência universitária, a última das quais exercida no Instituto Superior de Gestão, no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa e no Instituto Estudos Superiores Financeiros e Fiscais.

João Luís Correia Duque

Qualificação Académica:

  • Licenciatura em Organização e Gestão de Empresas (Instituto Superior de Economia e Gestão, UTL), 1984
  • Provas de Aptidão Pedagógica e Capacidade Científica (Instituto Superior de Economia e Gestão, UTL), 1989
    Dissertação elaborada para a esse grau: “Influência do Endividamento na Taxa de Custo do Capital”, 1989,
    Dissertação para candidatura às provas de Aptidão Pedagógica e Capacidade Científica no Instituto Superior de Economia e Gestão, Universidade Técnica de Lisboa.
  • Equivalência ao grau de doutor em Organização e Gestão de Empresas pela Universidade Técnica de Lisboa através do Instituto Superior de Economia e Gestão, 1996.
    • Agregação em Gestão de Empresas pela Universidade Técnica de Lisboa através do Instituto Superior de Economia e Gestão, 2002

Nuno Paulo de Sousa Arrobas Crato (wikipédia) é um matemático e estatístico português que tem tido uma extensa actividade de divulgação científica.

Desde 2000 é professor no Instituto Superior de Economia e Gestão.

Nuno Crato é, de entre os três, o caso mais fascinante. Para além do “brilhantismo” da sua eloquência, NC ilustra bem o caso da promiscuidade mais profunda entre o academismo, a participação política e a intervenção mediática. Para quem está constantemente a invectivar as ciências da educação, a pedagogia e a reflexão sobre a escola que existia, por contraposição à que tem que existir, NC tem um CV que fala sobre a sua intervenção permanente na educação em Portugal nos últimos anos. Se alguém tem tido voz e audiência, esse alguém é sem dúvida Nuno Crato e o seu currículum vitae é disso testumunho incontestável:

Membro da Comissão para a Cultura Científica do Ministério da Ciência e do Ensino Superior, 2004.

Membro do Conselho Consultivo das Comemorações dos 30 anos do 25 de Abril , Presidência do Conselho de Ministros, 2004.

Membro da Comissão para o Estudo de Matemática e das Ciências,Ministério da Educação, Setembro de 2002.

Membro da Comissão Nacional de Matemática (comissão que representa Portugal na União Matemática Internacional), desde 2002.

Membro da direcção da Sociedade Portuguesa de Matemática 2000 – 2004.

Participação como convidado em cerca de seis dezenas encontros de debate pedagógico, nomeadamente:

“O que falta mudar na educação e por que ninguém o discute” Comunicação convidada no Encontro “Escola Pública: Problemas, Tendências, Desafios”, CENFIPE, Ponte de Lima, 27 de Março de 2009.

“O que faz um bom professor?” Conferência na Escola Superior de Educação Almeida Garrett, Lisboa, 20 de Janeiro de 2008.

“Sustentabilidade, cooperação e desenvolvimento”, Convenção dos Profissionais da Pedagogia, Óbidos, 18 a 19 de Abril, 2008

“Elogio da transmissão de conhecimentos”, CIFOP, Universidade de Aveiro, 7 a 11 de Maio de 2007.

“Descoberta construtivista ou redescoberta activa?”, Seminário Matemática – como dar o salto em frente, Associação Nacional de Professores, Vila Franca de Xira, 25 de Outubro de 2006.

Orador convidado no encontro de professores “Estratégias Eficazes para o Ensino da Matemática”, Casa do Professor, Braga, 22 de Setembro de 2006.

“Retórica e fundamentação científica na política educativa”, VII Congresso Internacional e Multidisciplinar – Aprendizes Escolares e Funções Cognitivas, Universidade de Coimbra, 4 e 5 de Maio de 2006.

“O ‘Eduquês’ em discurso directo”, Bruxelas, Livraria Orfeu, 4 de Julho de 2006.

“Competência: da conceptualização às práticas educativas”, III Colóquio Luso-Brasileiro sobre Questões Curriculares, Universidade do Minho, 9 a 11 de Fevereiro de 2006.

“Ousar discutir as teorias pedagógicas dominantes”, Encontros sobre Educação, EJAF, 22 de Fevereiro de 2006.

“A matemática na nossa vida e na nossa cultura”, Casa Museu João Soares, Leiria, 19 de Abril de 2005.

Orador convidado dos “Encontros com Pensadores Críticos em Pedagogia”,Escola Superior de Educação de Setúbal, 2004.

Colaboração com Escolas Básicas, Secundárias e Superiores em actividades de divulgação científica, de actualização de conhecimentos e de apoio a projectos, nomeadamente em palestras para jovens estudantes sobre matemática, estatística e ciência. Entre 2002 e 2009 realizou mais de 300 palestras para jovens por todo o país, incluindo Bragança, Vila do Conde, Guimarães, Braga, Porto, Aveiro, Viseu, Trancoso, Covilhã, Castelo Branco, Coimbra, Penela, Leiria, Constância, Castelo de Vide, Santarém, Torres Vedras, Loures, Vila Franca de Xira, Lisboa, Almada, Setúbal, Évora, Faro, S. Miguel, Faial, Flores, Madeira e Porto Santo.

Como se pode constatar, poucas personalidades terão tido direito a expor as suas ideias sobre educação em Portugal, nos últimos anos, como teve Nuno Crato. Apesar de haver gente muito mais qualificada para falar sobre educação e escola pública, com muito mais investigação realizada e muito mais anos de trabalho e obras publicadas sobre o tema.