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Passeando pelos blogues de professores, incluindo os que mais se costumam mobilizar nas lutas contra o governo, não se encontra muita informação relativa à greve da próxima quinta-feira.

Alguns, como o Miguel Pinto, a Anabela Magalhães e o MEP, declaram publicamente o seu apoio e intenção de aderir.

O Ramiro Marques divulga o cartaz de apelo à greve, mas não se pronuncia sobre a mesma, enquanto a Cristina Ribas, no mesmo blogue, disserta sobre a greve, o acordo e uma unidade mítica rumo à resolução conjunta dos problemas educativos.

No mesmo percurso, mais ou menos esotérico, em que não se percebe claramente se está de acordo ou se é absolutamente contra a greve, o P. Guinote deixa um inquérito antecedido por um texto profundamente contrário aos sindicatos e ao sindicalismo docente.

Numa linha mais assumidamente crítica da greve e, aparentemente, não pretendendo aderir à mesma, pronunciam-se o MUP, o P. Prudêncio e o Octávio G., cujo argumento é a incompreensão do por quê de uma greve, depois de se assinar um acordo sobre a estrutura da carreira há pouco mais de um mês.

A ideia de que a assinatura de um acordo parcelar, sobre uma matéria concreta da vida profissional dos professores , impediria a continuação da luta e do exercício do direito ao protesto, é uma ideia peregrina de quem tem dificuldade em ver além do seu horizonte pessoal e limitado.

Ao contrário do que foi apregoado, nunca os dirigentes e os activistas sindicais apresentaram o acordo de 8 de Janeiro como a grande vitória dos professores. O que foi dito, e está registado para consulta, foi que se tratava de um acordo que trazia benefícios objectivos para os professores, garantindo a todos o acesso ao topo da carreira. Mas na mesma altura ficou claro que não havia acordo em relação à manutenção do modelo de avaliação e às condições/horários de trabalho nas escolas.

Algumas das matérias que os detractores do acordo afirmavam ser da maior importância – quotas, recuperação do tempo de serviço, condições dignas de aposentação -, são comuns a todos os funcionários públicos. Esperar a sua resolução apenas para os professores é, além de ridículo e até um pouco irreal, uma demonstração de profundo egoísmo e falta de solidariedade.

Agora, que todos os funcionários reclamam a resolução desses problemas, pretender que os professores nada têm a ver com a greve de dia 4 é um erro colossal e demonstra uma profunda falta de sentido cívico e de formação política.

Bem me lembro de ouvir alguns, dos que agora se põem de fora, dizendo que a luta dos professores era também a luta dos funcionários, e dos pais, e dos alunos, e etc. Mas isso era porque não queriam sentir-se sós. Agora, ao que parece, já não lhes faz diferença o isolamento.

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