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… e nós somos um povo de respeito, não é filho?

Isto perguntava José Mário Branco no seu magnífico texto FMI

[A segunda parte pode ser vista aqui.]

É também desse respeitinho que nos falam os defensores do segredo de justiça, a propósito das escutas da “Face Oculta” e negócios PT-TVI ou TagusPark-Figo.

Insistir em classificar como privadas as conversas que ocorreram entre os membros do PS (preparando negócios que envolviam empresas que prestam serviço público como se fossem coutada sua) é achar que os portugueses são tolos, e que basta acenar com o respeitinho ao chefe, para a malta continuar calada, veneranda e obediente.

É patético assistir ao modo como a casta dirigente deste partido que governa o país insiste em manter a questão na arena institucional da justiça, quando há muito que o assunto está colocado na arena não institucional da opinião pública.

O governo, e o partido que o sustenta, finge não ter percebido que ninguém está interessado na questão jurídica. Todos sabemos que esse campo foi armadilhado, em devido tempo, pelo bloco central de interesses (que agora nos acena com o papão do FMI).

O que verdadeiramente interessa é a questão política e aí, as palavras de JMB continuam a ter todo o sentido, 30 anos depois.

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