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O I online tem hoje uma chamada para uma entrevista que revela como alguns jornalistas e editores são desonestos ou, no mínimo, pouco rigorosos.

O título da entrevista “Manuel Alegre? Mordidelas de mosquitos não me importunam” induz, no espírito dos leitores, a ideia de que Fernando Nobre chama mosquito a Manuel Alegre. O que só pode ser considerado ofensivo pelo poeta e deputado, bem como pelos seus apoiantes.

Mas, lendo a entrevista, o que se verifica é que em relação a Manuel Alegre o candidato Fernando Nobre afirma: Fui convidado por três vias para apoiar e integrar a sua comissão de honra. Nomeadamente pelo grupo de Viseu, onde nasceu a candidatura de Alegre. E hoje esse grupo decidiu estar comigo. Nós temos de ser frontais, porque isto de se dizer uma coisa e depois fazer outra é complicado. Não podemos ter um senhor que foi durante 34 anos deputado do PS, foi vice-presidente da AR indicado pelo PS, que pertence a um partido e que, continuando a ser deputado do partido, diga que quer dinamizar um movimento de cidadania. Para ser coerente, só há uma coisa a fazer: entregar o cartão do partido e fazer uma coisa às claras.”

A referência aos mosquitos surge num outro contexto, em que Fernando Nobre diz: O Dr. Manuel Alegre pode dizer que não me conhece, mas à volta dele há quem me conheça. Eu quero é que se discutam projectos para Portugal. Se não vencer, que vença alguém com um projecto que possa mobilizar Portugal. Demonstrem-me isso. Quanto ao resto, todos os disparates são permitidos e até já ouvi umas bocas sobre não ser português, por ter nascido em Angola. Eu nasci português e sempre tive bilhete de nacionalidade português desde o meu nascimento. Vamos lá parar com as baboseiras e pôr a discussão no patamar das ideias. Eu ando desde que nasci em países onde há muitos mosquitos. Picadelas de mosquitos não me importunam. Eu só reagirei se for mordido por um crocodilo.”

Como se pode ler, a referência a picadelas de mosquito surge a propósito de alegadas acusações de que Fernando Nobre não é português, por ter nascido em Angola (em 1951). Não creio que essa insinuação tenha partido de Manuel Alegre.

Mas, graças ao título da entrevista, até o P. Guinote já acha que assim não vamos lá.

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