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O Octávio Gonçalves resolveu ocupar o papel de ponta de lança no ataque ao que ele classifica de um acordo sem princípios.

Ontem compôs mais uma bela prosa, em que argumenta contra três alegadas falácias de quem, segundo ele, defende o acordo.

Começa logo aqui a desonestidade intelectual do impoluto professor de além Marão. De resto, não conhecesse eu muitos transmontanos de carácter ainda pensaria que é mal da região, pois estes enviesamentos da verdade em proveito próprio já vêm da escola de Vinhais e de Vilar de Maçada, aparentemente descendo o IP4 em direcção a Vila Real…

É que o Octávio esquece-se de dizer que todos quanto acham que foi útil para os professores a assinatura do acordo, continuam a discordar do modelo de avaliação e das quotas, tendo-o afirmado repetidamente.

Quanto ao modelo de ADD, o que é dito é que terá que ser mudado a prazo mais ou menos breve. Em relação às quotas, o argumento é que foi possível esvaziá-las do conteúdo e do objectivo para que tinham sido desenhadas – impedir a progressão na carreira a 60% dos professores.

Mas atentemos na argumentação do Octávio e nos três sofismas que resolveu denunciar.

  • quem “defende” o acordo esconde a avaliação;
  • quem “defende” o acordo aceita como base negocial o ECD de Maria de Lurdes Rodrigues;
  • quem “defende” o acordo aceita a inevitabilidade das quotas.

Em relação a estes “sofismas” o Octávio acha que os sindicatos devem uma explicação aos professores, porque aceitaram a avaliação que, segundo ele, foi a reivindicação central das manifestações de 2008/2009, porque aceitaram o ECD de 2007/09 e porque aceitaram as quotas.

Na minha modesta opinião, o que o Octávio pensa e escreve só pode tratar-se de uma de duas coisas – distracção/esquecimento ou revisionismo puro e duro. Passo a explicar:

  1. Durante todo o ano de 2006 os sindicatos denunciaram os perigos   e as preversões que se desenhavam para o estatuto socio-profissional dos professores com a aprovação do estatuto que Maria de Lurdes Rodrigues queria impôr;
  2. Denunciaram, não só o estrangulamento do acesso aos últimos escalões da carreira, mas as irregularidades introduzidas com legislação avulsa, nomeadamente as questões relacionadas com o horário de trabalho e a distribuição das cargas lectivas e não lectivas;
  3. Foram convocadas greves e manifestações, numa tentativa de reverter esse processo, que pela justeza das reivindicações se traduziram em números de participação muito elevado – 10.000 professores em Junho de 2006 e 25.000 em Outubro de 2007;
  4. Apesar disso o acordar dos professores para o problema que lhes caía em cima só aconteceu em 2008 e, com mais de ano e meio de atraso, os professores inundaram as ruas de Lisboa para lutar pelas bandeiras que os seus sindicatos já vinham a agitar desde o início da legislatura;
  5. Como se pode ver em muitas das fotografias do 8 de Março, a luta contra a ADD não era a palavra de ordem

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As faixas que se vêem nas fotos, datadas de 8/8/2008, reportam-se a temas que estão relacionados com a organização da escola pública e com a carreira profissional dos professores, de que a avaliação é apenas um instrumento.

manif 088A exigência de respeito, que levou dezenas de milhar de professores a inundarem a baixa de Lisboa por duas vezes e a fazerem duas enormes greves, devia levar a que alguns (que obtiveram notoriedade com a existência destas lutas) se abstivessem de tentar reescrever a história, num aproveitamento pessoal vergonhoso de uma luta que é colectiva.

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