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… ou arremetendo contra moinhos de vento, é o que se pode dizer da magnífica cruzada encetada pelo Octávio Gonçalves contra o acordo que constitui o primeiro passo para a revogação do DL 15/2007 (o mal fadado estatuto que foi imposto pelo XVII governo).

O bom do Octávio, que acredito ser um “puro”, resolveu fazer uma consulta no seu blogue a que chama pomposamente “sondagem”. Claro que uma pessoa com a formação de nível superior do Octávio tem a obrigação de não confundir sondagens com questionários disponibilizados em blogues (ou outros suportes com públicos mais ou menos reduzidos e interesses idênticos).

Vai daí, tendo obtido 880 respostas ao seu inquérito (que acredito não permitia votações duplicadas do mesmo respondente) chegou à conclusão que 85% de professores achavam o acordo negativo.

É tanta a certeza na fiabilidade do seu inquérito que convida os bloguers que não acreditam a fazerem também a sua sondagem/questionário, estendendo o desafio aos sindicatos.

Se em relação ao convite aos sindicatos já tínhamos o grupo do Vasconcellos a reclamar um referendo, a proposta do Octávio em relação a bloguers como eu, e outros que consideram o acordo positivo, tem o seu quê de divertido.

É que para fazer a vontade ao Octávio é preciso não ter bem a dimensão do valor dos blogues de professores e atribuir-lhes um poder que não têm.

Não sei quantos professores visitam o blogue do Octávio. Não sei quais as motivações de cada um dos seus leitores. Por certo não serão todos “seguidores” do seu pensamento (eu de vez em quando passo por lá, como se pode constatar pelo facto de estar a escrever este post). Mas não creio que haja alguém que acredite que os frequentadores do blogue do Octávio podem constituir uma amostra representativa do universo dos professores portugueses.

Acreditar, como ele acredita (pelo que escreve) que as respostas ao questionário que fez representam o sentimento dos professores é tomar a nuvem por Juno.

De um ponto de vista pessoal nada tenho contra o facto de o Octávio continuar a sua saga contra o acordo, qual Quixote montado no seu Rocinante, arremetendo contra moinhos de vento. Já enquanto professor incomoda-me que um colega de profissão, com a formação de nível superior que ele tem, dê dos professores uma imagem de “triste figura” como a do valoroso cavaleiro de La Mancha.

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