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No passado dia 31 publiquei um post em que escrevi: «A questão dos custos com os professores e a tentativa permanente de reduzir salários e aumentar a precaridade dos docentes insere-se na estratégia de privatização do ensino.»

No dia 4 o ex-ministro Daniel Bessa prestou, ao jornal Público, as seguintes declarações:

«DB. Não há verdadeira redução da despesa que não passe pela privatização de alguns serviços. Porque as outras alternativas é mandar funcionários públicos embora ou reduzir nominalmente os salários. Os países que enfrentaram esta questão de frente com bons resultados fizeram-no privatizando. P. O quê concretamente? DB. Escolas e hospitais. As escolas continuariam de pé e os hospitais também, mas o Estado sai e os particulares vão ter de pagar, com políticas de apoio para os mais baixos rendimentos.»

No editorial de hoje do jornal oficioso do governo – DN -, sob o título “Uma negociação delicada e imprescindível”, escreve-se «Mas não vale a pena enganarmo-nos: essa negociação não está aberta a todos os quadrantes da oposição por igual. Goste-se, ou não, a crise de credibilidade financeira na Grécia fez pender para o lado da restrição orçamental os restantes parceiros do euro, antes do que se pensava. A nós também. Daí que aquilo que há para negociar seja a medida justa de despesa discricionária em 2010 de apoio ao emprego, aos desempregados e ao investimento – público e privado -, com redução, ainda que modesta, do défice público, face ao de 2009. Os partidos à esquerda do PS não querem ouvir falar disto»

Neste quadro, a expectativa de qualquer tipo de acordo entre ME e Sindicatos de Professores na reunião de amanhã não passa de uma quimera.

Cada vez mais se perspectiva a necessidade de tomarmos posição sobre a resposta a dar, e isso passa pela realização de reuniões e plenários, nos quais os sindicatos possam cimentar as decisões sobre como continuar a luta por uma carreira digna e justa para todos os professores que fazem falta ao sistema, incluindo aqui os professores contratados, sem os quais a escola pública não funciona.

Adenda (16:30): O Público online volta a mostrar-se colaborante no processo de mistificação e de mentira com que o ME e o governo pretendem quebrar a resistência dos professores.

Na verdade a afirmação, sempre repetida, de que «Quanto aos docentes avaliados com Bom, mas que por falta de vagas não consigam aceder àqueles escalões, terão prioridade no ano seguinte, “imediatamente a seguir” aos classificados com Muito Bom e Excelente, que progridem independentemente da fixação de vagas.» quer fazer crer que o ministério admite a possibilidade de que todos os professores com Bom cheguem ao último escalão da carreira.

Para provar que É MENTIRA basta ler as duas alíneas a) e b) do ponto 40 da proposta apresentada pelo ministério para se perceber que sem ter pelo menos um Muito Bom ou um Excelente nenhum professor acederá a esse escalão.

O que é mais ridículo neste caso é que, para os professores do actual topo – 340 – que não sejam avaliadores, só pedindo para ter aulas observadas (quando estão à beira da reforma) é que poderão aceder a essas menções, e isto se “couberem nas quotas”.

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