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Há quem, como a extraordinária novel-estrela do comentário Pedro Marques Lopes, ache que neoliberalismo é sinónimo de liberalismo. Este comentador, por quem apenas dei que existisse quando apareceu num programa da Sic-N, é agora presença assídua na televisão, na rádio e nos jornais, além de bloguer de créditos firmados em defesa de teses liberais.

De facto, se atentarmos em exclusivo à realidade portuguesa, podemos considerar que o nosso liberalismo foi sempre “neo”, na medida em que desde os tempos das descobertas, até à actualidade e passando pelo célebre condicionamento industrial do sr. António de Stª Comba, quase todos os nossos empreendedores gostaram de sentir o conforto da mão protectora do Estado. E se alguém discorda, gostaria de recordar que o “genovês” Colombo e o Magalhães da circum-navegação preferiram navegar sob pavilhão castelhano, quando a nossa coroa lhes negou o financiamento das respectivas empresas. É com base nisso que admito que PML confunda o liberalismo que diz defender, com o neoliberalismo que acha que não existe.

Curiosamente o tema da minha prosa não era este mas sim a receita privatizadora que, segundo mais um gurú da economia caseira como é Daniel Bessa, constitui a varinha mágica que vai trazer a felicidade e o bem estar aos portugueses.

A receita é tão poderosa e popular, que até o Reitor (que não morre de amores por nada que lhe cheire a esquerda) elogia o “avanço do socialista”.

Mas sendo esta receita tão infalível, tão magnífica, tão acertada, o que faltará para que os nossos dinâmicos empresários empreendam e o Estado, que está de tanga, arrecade proventos e se desfaça dos custos?

Pois é, falta superar o tal viciozinho dos nossos empreendedores que, seguindo o cânone neoliberal, gostam de empreender quando o Estado suporta o prejuízo para lhes garantir o lucro.

É por isso que, para poder vender as escolas à iniciativa privada, o Estado tem que “resolver” primeiro a questão dos custos salariais (eliminando os professores caros dos últimos escalões da carreira e criando um contingente de mão-de-obra barata de dezenas de milhar de contratados), dos custos com o parque escolar (gastando milhões de euros com a construção/reconstrução de instalações e equipamentos escolares), para depois os entregar à “iniciativa” privada que amealhará os proveitos.

Nessa altura será com toda a certeza uma receita infalível (sobretudo para quem tiver a ligação ou a quota certa em dia).

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