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Segundo noticiam o CM e o Público, a ministra Isabel Alçada terá afirmado no parlamento que a existência de quotas é um poderoso “estimulante” para os professores “irem mais longe”.

Lendo dois dos blogues que visito diariamente, reparo que o Guinote fez algum esforço de contenção para não ir tão longe como lhe apeteceria, enquanto o Ramiro preferiu usar um estilo um pouco mais paternalista, de aconselhamento a uma amiga.

Confesso que prefiro o registo do Guinote, muito mais perto daquilo que também a mim me apetecia escrever…

No entanto, como pretendo dar um ar de seriedade ao que por aqui fica registado, resta-me dizer que as quotas poderão efectivamente estimular os professores a irem mais longe, preparando-se para a acção de rua já nas primeiras semanas de Janeiro.

Antes de mais, como tem sido afirmado pelos sindicatos da FENPROF, a sra “ministra sorridente” tem que entender que não vamos aceitar um acordo só porque sim, ou porque é uma ex-sindicalista simpática e “dialogante”. Não creio que nas duas rondas negociais que ainda estão agendadas seja possível concluir o processo e, o mais natural, é que as negociações tenham que se prolongar.

Mas, sra ministra, só vale a pena continuar a negociar se, para além dos sorrisos, houver boa fé da parte do governo.

Já o escrevi e tenho-o dito entre colegas e amigos – a sra tem um secretário de Estado muito mais competente e capaz do que a sua antecessora. Ele é um adversário complicado para os negociadores sindicais e as propostas que tem apresentado, bem como a sua postura à mesa das negociações, levantam problemas novos aos professores que não aceitam o agravamento das condições da carreira.

Por isso as palavras que a sra ministra pronunciou na AR são tão estimulantes para quem, como eu, sabe que nesta negociação o ministério da educação não passa de uma marioneta nas mãos do ministro das finanças e do primeiro ministro. Por mim, ao contrário do Ramiro, espero que a sra se desdobre em disparates como o de ontem, voltando a estimular os professores a unirem-se e irem mais longe na rejeição da proposta de quotas.

Já agora peço-lhe encarecidamente que nos diga que estudos científicos, produzidos por quem, quando e com que finalidade, é que demonstram que «a quota a prioripermite fazer uma diferenciação e estimular o profissional a progredir».

É que pode ser que essa informação seja tão estimulante para os professores como foi a informação sobre a origem chilena do modelo de avaliação da sua antecessora.

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