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Nos últimos anos temos assistido à introdução de diversas formas de privatização nos sistemas públicos de educação em todo o mundo.

Enquanto muitas mudanças são fruto de políticas declaradamente defendidas pelos governos, outras são muito mais subtis e são aplicadas de forma disfarçada.

As primeiras surgem sob bandeiras de “reforma educativa”, em busca da equidade, de melhoria da qualidade ou de melhores condições para os professores ou outros profissionais.

As segundas surgem como uma necessiadade de “acompanhar a evolução dos tempos” num apelo à modernização, à eficácia e à eficiência, como é o caso dos novos modelos de gestão e administração escolar, enquanto na realidade apenas reflectem uma orientação competitiva e consumista, ditada pelas “leis” do mercado nas nossas sociedades.

Em ambos os casos a tendência de privatização da educação pública está escondida, utilizando-se para o efeito conceitos como “reforma educativa”, ou “modernização”.

Por isso se torna fundamental perceber que a “privatização escondida” tem muitas facetas. Não deixando nunca de ter em atenção que a privatização, ou a comercialização da escola pública, tem um enorme impacto na forma como pensamos a educação e os valores que a sustentam.

É preciso dar resposta a algumas questões como, por exemplo

  1. a educação está a dar a cada criança, jovem ou adulto a possibilidade de desenvolver na totalidade o seu potencial enquanto pessoa e membro da sociedade? ou
  2. a educação é um serviço para ser vendido a clientes, que são considerados desde a primeira infância como consumidores e alvos perfeitos para acções de marketing?

O facto é que cada vez mais assistimos, em todo o mundo (mas também no nosso país), à emergência de firmas privadas e consultores individuais que se tornam muito activos na venda de serviços educativos, que antes eram providos às escolas directamente pelo Estado central ou por agências governamentais, centrais ou locais.

Entre esses serviços inclui-se o catering, a manutenção e limpeza, o apoio técnico ao hardware e software associado às TIC, ou até a monitorização da performance e a “auto-avaliação”. Some-se a tudo isto a concepção e distribuição de materiais pedagógicos e didácticos (quadros mágicos e respectivo software educativo) e teremos uma ideia muito mais fina de como a educação é um dos mercados mais atractivos e com maior potencial de desenvolvimento, numa altura em que o Estado se abstém de assegurar a provisão de todos estes bens, agora entregues à responsabilidade (e ao lucro) do sector privado da economia.