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A APEDE tornou pública uma proposta de carreira e avaliação do desempenho docente.

Era um compromisso assumido há muito tempo e que foi agora honrado, imagino que à custa de um grande sacrifício dos seus autores. Esse é, sem dúvida, um facto a merecer realce.

Quanto ao conteúdo da proposta, ao contrário de outras pessoas (entre as quais se destaca o Ramiro Marques), não entendo que seja um documento que mereça mais do que o reconhecimento da boa vontade dos seus autores, pois quanto ao seu conteúdo e fundamento a minha discordância é enorme.

Não tendo tempo nem disposição para esmiuçar a proposta da mesma forma [1] [2] [3] que o Ramiro, limitar-me-ei a umas poucas considerações sobre a questão.

Em primeiro lugar parece-me pertinente perceber que o ataque que o XVII governo constitucional [Pinto de Sousa I] fez ao ensino, aos professores e aos seus sindicatos se insere num ataque global do neo-liberalismo contra a escola pública e em defesa da privatização de um mercado de largos milhões de euros, como é o mercado da educação. (A esse propósito sugiro a leitura de The Global Assault on Teaching, Teachers, and their Unions: Stories for Resistance)

Entre outras coisas, a leitura desta obra permitirá perceber em que medida a resistência e a defesa da escola pública passa pela acção dos professores representados e em sintonia com os seus sindicatos, seja nos países em desenvolvimento, seja nos países mais industrializados.

Nesse contexto, a proposta da APEDE parece-me fundamentada apenas num senso comum, pouco capaz de articular os problemas da escola pública com os dos outros serviços públicos que o Estado-provedor do pós II guerra mundial assegurava, e que o Estado neo-liberal da globalização capitalista se vê forçado a alienar, devido às pressões que sobre ele são exercidas pelas instâncias de regulação trans e supranacional [agências da ONU, UE, FMI, BM, OCDE, etc.]

Claro que este meu post contém o tipo de discurso que pouco ou nada interessa a quem acha que os professores só têm que “ensinar” e que a escola pública só deve servir para “transmitir cultura” de acordo com “cânones” pré-estabelecidos.

Infelizmente, o discurso do “apoliticismo” dos professores e da defesa de uma certa integridade científica (para lá do envolvimento político), como se fosse possível educar sem assumir uma posição política e cidadã, continua a ter enorme aceitação na sociedade e entre os profissionais da educação. Mesmo quando apresentam propostas cujo conteúdo político é evidente, apesar de jurarem a pés juntos que são totalmente independentes.

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