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No tempo em que os animais falavam, o rei da selva [que era um animal muito feroz, mas bastante simpático] tinha um vasto círculo de amigos.

Entre os amigos dilectos do rei da selva destacava-se o chacal (que administrava as poupanças de quase todos os animais). Também havia o gorila de dorso prateado (que garantia que nenhum outro animal se metesse com o rei da selva, mesmo quando se entretinha a remodelar os caminhos do mato) e o elefante de enormes dentes de marfim, que como tinha memória de elefante, garantia a fidedignidade da linhagem a que pertencia o rei da selva.

À volta destes poderosos senhores da selva polulava uma corte de animais, que apesar de não serem tão lestos no uso do compasso e do esquadro, eram imprescindíveis à perpetuação do poder do rei da selva e dos seus amigos dilectos.

Um dia o antílope, que era um sujeito sempre muito desconfiado, resolveu investigar como é que a hiena tinha acesso aos melhores restos que eram deixados pelos predadores. Pediu ajuda ao morcego orelhudo, e puseram-se à escuta das conversa que a hiena tinha com os seus clientes e fornecedores.

Ao longo de muitos e muitos dias o antílope e o morcego orelhudo foram descobrindo que a hiena se encontrava com alguns amigos do rei da selva, tendo até almoçado algumas vezes com o chacal. E tudo isto foi feito com cuidado extremo, de modo a que nenhum outro animal soubesse o que eles tinham descoberto.

Até que um dia descobriram uma coisa muito mais grave do que os almoços entre a hiena e o chacal. Nessa altura resolveram ir pedir ajuda ao venerando mocho que, com a sua sabedoria imensa, era o animal indicado para decidir sobre o que fazer.

No dia seguinte, sem que o antílope e o morcego orelhudo conseguissem perceber como, a hiena e o chacal passaram a falar num código esquisito. E passados alguns dias toda a selva sabia que aqueles animais desprezíveis andavam a ouvir conversas privadas dos amigos do rei da selva.

Moral da “estória”: yo no creo en las brujas, pero que las ay, ay.

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