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Quem me costuma ler sabe que tenho em fraca consideração a independência do DN em relação ao poder executivo.

Hoje, ao ler a crónica de João Miguel Tavares, confesso que fiquei agradavelmente surpreendido, quanto mais não seja porque sou capaz de me rever nesta dúvida:

«Sócrates disse: “A questão mais importante para mim é saber se, durante meses a fio, fui escutado e se isso é legal num Estado de direito.” Mas a questão mais importante para mim, e suponho que para a maioria dos portugueses, não é saber se as escutas são legais, mas se o primeiro-ministro teve conversas inaceitáveis com Armando Vara à luz de um Estado de direito. Isso até devia sossegar Pinto Monteiro e Noronha do Nascimento. Só que eles conhecem demasiado bem a política para ainda serem capazes de confiar no poder solitário da justiça.»

Devo acrescentar, no entanto, que se fosse eu a assinar a prosa, preferia não colocar a questão como de umas conversas entre Armando Vara e o 1º ministro, preferindo antes escrever entre os cidadãos Armando Vara e José Sócrates Pinto de Sousa. É que, parece-me, à luz dos labirínticos processos da justiça portuguesa essa pequena nuance pode fazer toda a diferença.