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A propósito das negociações entre o governo e os sindicatos de professores, o Ramiro sugere que nos concentremos no essencial, abdicando do acessório.

Como essencial, Ramiro Marques define a defesa do fim da divisão da carreira entre titulares e professores. Como acessório, pensa que se podem aceitar os efeitos do simplex, nomeadamente os que decorrem da atribuição de notações de Muito Bom e Excelente.

Mais uma vez concordo com o Miguel Pinto, não me parecendo de modo nenhum acessório que se aceite o resultado de um processo cheio de trapaças e que, a ter vencimento, apenas beneficiaria governantes autoritários e intransigentes, bem como aqueles professores que não souberam ser solidários e aproveitaram a oportunidade para beneficiar das quotas contra as quais todos lutámos.

Também o Paulo Guinote, num post comemorativo da manifestação dos 120.000, se refere ao “acessório”: «Mas também é preciso que todos ajudemos ou, se não formos todos, pelo menos que a larga maioria saiba distinguir o essencial do acessório.»

Não consigo perceber claramente qual a interpretação que ele faz do que é essencial ou acessório.

Por mim não me parece nada acessório que se aceite que, por efeito de um modelo de avaliação que todos combatemos por o acharmos injusto, iníquo, desajustado das necessidades do sistema, sem qualidade científico-pedagógica e apenas imposto por teimosia e má-fé, venham agora alguns a beneficiar de pontuações extra, em concursos de colocação de professores, ultrapassando dessa forma quem não se vendeu ao inimigo.

Mas isso sou eu que estou no topo da carreira, e que se um dia voltasse a concorrer a outra escola seria para me afastar de casa, já que onde estou apenas tenho que atravessar duas ruas a pé.