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O Ramiro Marques dedicou um post a vários bloguers, entre os quais teve a amabilidade de me incluir.

Não sei bem porque figuro entre os eleitos e tenho que dizer que só agora respondo (e por esta via) porque tenho andado demasiado ocupado com diversas actividades de ordem política, sindical e académica, que me têm tomado grande parte do tempo que dedicava ao blogue e à blogosfera.

Também tenho que confessar o meu desconhecimento da obra e da pessoa de Quintana Cabanas, pelo que a dedicatória que o Ramiro me fez tem, desde já, a vantagem de me ter proporcionado o contacto com uma personagem de reconhecidos méritos no campo da pedagogia (antes de escrever este post fiz uma breve pesquisa sobre o Professor Quintana Cabanas).

No entanto fica-me uma dúvida profunda: será que o Ramiro, ao dedicar-me este post, imagina que a minha defesa da escola pública inclui a defesa de um modelo estatal, centralista e totalitário, no qual o Estado retira as crianças às famílias para as educar/formar de acordo com um modelo único? Ou é o próprio Ramiro que defende tal modelo?

Defender uma educação igual equitativa, gratuita e obrigatória para todos é sem dúvida um bom princípio. Já definir que ela tem que ser da única responsabilidade do Estado, remetendo as comunidades e os indivíduos para um limbo de não existência, parece-me um pouco excessivo na medida em que pode permitir que os detentores do poder político formatem os cidadãos sem que estes tenham possibilidade de resistir.

Afirmar, como no ponto 4. do post, que «os alunos estão organizados em agrupamentos chamados colectivos, no seio dos quais vivem, estudam e trabalham» é confirmar que estes devem ser retirados às famílias, porque o Estado não confia na capacidade destas para educar os seus filhos.

Efectivamente, tenho que ler muito mais sobre o pensamento de Quintana Cabanas, já que me custa a crer que estejamos perante um “comunista ortodoxo”, que em pleno século XXI esteja a defender a apropriação colectiva da juventude pelo Estado, com o objectivo de criar o Homem Novo.

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