Já começou há muitos meses atrás, mas à medida que se aproxima a data das eleições para a Assembleia da República os apelos aumentam de tom (usando técnicas e recursos pretensamente mais eficazes e apelativos).

Começou com uma ideia, que depois se espalhou por listas de distribuição de correio electrónico, passou para autocolantes, faixas, t-shirts e outros objectos. Para os professores seria indiferente votar à direita ou à esquerda, desde que não votassem no PS. E o lema ganhou forma – Vota à direita ou à esquerda, não votes no PS.

Nesta altura já vamos em alegados estudos (mais ou menos científicos) que nos indicam, círculo eleitoral a círculo eleitoral, qual o grau de utilidade do nosso voto.

Acontece que o pressuposto que está a ser usado para qualificar de útil ou inútil (com maior ou menor grau de utilidade) o voto de cada professor corresponde ao grau zero da política e da intervenção cívica.

Afirmo-o sem qualquer hesitação.

Admitir que para os portugueses em geral (e para os professores portugueses em particular) é indiferente votarem em programas que defendam a existência de serviços públicos de grande qualidade, de carácter geral e universal, ou em programas que abram caminho à privatização dos sectores lucrativos desses serviços, criando como complemento uma espécie de serviços públicos mínimos para os pobres e desvalidos, seria voltar ao discurso rançoso de: “para os professores, a sua política é o trabalho”.

Julgo que muitos dos professores, justamente indignados com as actuais políticas, já têm idade suficiente para reconhecer a frase. E os restantes deviam conhecer melhor a história portuguesa do séc. XX, a fim de saberem de quem estou a falar.

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