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Ontem à noite não assisti àquilo a que baptizei como o “combate do título”.

Confesso que os primeiro ecos do debate, dos auto-intitulados candidatos a 1º ministro, me deixaram confuso e desanimado.

Confuso porque, segundo os relatos que me fizeram chegar, o 1º ministro teria conseguido inverter o ónus da prova, fazendo passar a ideia de ser ele o “challanger” e a outra candidata ser a responsável pela governação em julgamento; desanimado porque, a ser verdade que o 1º ministro tinha “esmagado” a sua opositora, poderia desaparecer o “empate técnico” tão evidenciado pelas últimas sondagens.

Para esclarecer as dúvidas que me assaltavam hoje de manhã resolvi percorrer os jornais online e a opinião publicada (não já a quente no imediato pós-debate, mas em textos eventualmente mais reflectidos e dados à estampa algumas horas depois).

Aparentemente a vitória esmagadora do 1º ministro, de que me falavam ontem, ter-se-á transformado em empate inconclusivo, segundo o que vem publicado hoje:

JN – Se entraram para o estúdio em empate técnico, nenhum saiu do debate da SIC totalmente vencedor. Sócrates esteve sempre ao ataque mas Ferreira Leite nunca o deixou sem resposta. Claro ficou que este PSD não se aliará a este PS.

DN – Como as diferenças programáticas entre PS e PSD são poucas, quase nenhumas, ficámos pelos estilos, pela incompatibilidade visceral entre ambos (mais explicitada a de Manuela FL) e dois coelhos tirados da cartola. Sócrates “descobriu” que o programa do PSD tinha diversos “apagões”, um dos quais relativo ao eventual pagamento de portagens nas Scut. Manuela, apanhada, aproveitou para prometer não aumentar. Mas também tinha uma armadilha preparada: “A reforma da Segurança Social fez-se – disse ela – com base na diminuição das pensões, que agora é de 70/80% do ordenado dos trabalhadores e em dez anos descerá para 50%”. José Sócrates só abanou a cabeça.

Público – Desengane-se quem pensava que ia conseguir perceber, através do frente-a-frente televisivo entre José Sócrates e Manuela Ferreira Leite ontem transmitido pela SIC, quem será o vencedor das eleições de 27 de Setembro. A forma como ambos os líderes se apresentaram no debate foi equilibrada e não houve de parte a parte nenhuma distracção que liquidasse a sua imagem.

I online – Sucede que os indecisos vivem em Portugal – e por isso conhecem as histórias que Ferreira Leite se esqueceu de sublinhar: a TVI, o veto ao negócio da PT, as constantes dúvidas na justiça, o disparate do diploma. Somarão a isso o desemprego, as reformas, os professores. Pode ser injusto para Sócrates, mas lá no fundo serão estas coisas a decidir estas eleições. Isto é: os portugueses indecisos vão decidir se essas coisas chegam para tirar o poder a Sócrates.

CM – Tacticismo puro. Num debate marcado pela economia e pela contenção dos dois adversários, as novidades chegaram no fim. José Sócrates deixou claro que, em caso de vitória, haverá “novos ministros” e Manuela Ferreira Leite justificou com clareza que lhe chega uma maioria relativa. “Não faço chantagem sobre o eleitorado”, afirmou.

Tudo visto e ponderado, dei por mim a sonhar acordado um sonho lindo:

No dia 27 é possível que o PS tenha uma vitória de Pirro. Só que ao contrário do general, Sócrates terá que se confrontar com os seus camaradas de partido que, excluídos dos lugares de deputado, no governo ou em outras agências, não estarão mortos como os soldados de Pirro. E ainda na noite de 27, o mais tardar na manhã de 28, haverão de responsabilizá-lo pelo insucesso.

Assim se matariam dois coelhos com uma cajadada – MFL não chegaria a PM por não vencer as eleições e JS também lá não chegaria, corrido pelos correligionários descontentes com as suas políticas e respectivos resultados eleitorais. Com a vantagem acrescida de com a de José Sócrates rolarem também as cabeças dos seus “yesmen” ASS, SP e outros menos mediáticos mas não menos nefastos ao país.

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