Etiquetas

,

“As condições de governabilidade não são iguais à esquerda e à direita”, sublinhou António Costa na Convenção Nacional do partido. “À direita pode haver um governo do PSD ou uma coligação PSD/PP, porque o CDS diz que vai obrigar o PSD a governar mais à direita”, afirmou.
Em contraste, lembra que tanto o PCP como o BE já disseram: “Não queremos coligações pré ou pós-eleitorais, não queremos ajudar o PS a governar. O que nós queremos é que o PS não governe”, referiu.
António Costa, como de resto toda a cúpula do PS, falta sistematicamente à verdade para tentar enganar os eleitores.
Acontece que, como já ninguém acredita em tanta mentira, só as lapas e os desesperados do tacho continuam a aplaudir tanto disparate, na esperança vã de que sobre qualquer coisinha depois de dia 27 ou, pelo menos, depois de dia 11 de Outubro.
De facto, quando António Costa e a direcção do PS insistem em que os trabalhadores não devem votar à esquerda, porque isso permitirá que a direita governe, deviam ser considerados culpados de publicidade enganosa, por nos tentarem fazer crer que o PS no governo não executa as políticas da direita.
Para os trabalhadores qualquer voto no PS é um voto na continuidade das políticas que a direita não consegue aplicar quando o PS está na oposição. E isto acontece porque o PS só tem uma agenda minimamente de esquerda quando está na oposição.
Todos sabemos, pela experiência de mais de trinta anos de regime democrático, que o PS no governo se deixa deslumbrar pelos negócios e pelas prebendas com que a direita alicia os seus militantes mais responsáveis.
Desde os negócios de Macau até aos contentores de Alcântara, à 3ª auto-estrada Lisboa-Porto, passando pela OTA e Alcochete, o historial é longo e claro.
Não será agora, com umas bandeiras maltrapilhas disfarçadas de políticas sociais, que o PS nos convence de que é um partido de esquerda. Desde os tempos do FMI que a esquerda só serve para o discurso e deixou de ser prática quando o PS chega ao poder.
Por isso, quando Costa diz que pode haver um governo de direita porque o CDS se vai aliar ao PSD, é preciso responder-lhe que é o PS que não quer um governo de esquerda, porque:
  • não abdica de um código de trabalho que retira direitos aos trabalhadores para aumentar os lucros do capital;
  • impôs uma concepção de “escola a tempo inteiro” para garantir que os pais possam cumprir horários de trabalho completamente desregulados, sem terem forma de acompanhar o crescimento e a educação dos seus filhos;
  • insiste em transformar a gestão e avaliação dos serviços públicos de acordo com modelos empresariais, que a prazo se traduzirão na privatização dos serviços públicos rentáveis e no empobrecimento e desqualificação dos serviços públicos não rentáveis;
  • continua a reverenciar o capital financeiro, em prejuízo do desenvolvimento económico e social do país e dos cidadãos.
E não adianta vir acenar com o suplemento solidário para idosos sem dizer de quantos euros é esse suplemento e para que serve: quantos litros de leite, quantos medicamentos, quantos quilos de arroz, de carne, de peixe ou de frutas pode comprar um idoso com esse bendito suplemento?
Da mesma forma deviam explicar quantos livros, quantos lápis, cadernos e outro material pode comprar cada aluno com os novos valores da ASE? Ao mesmo tempo que, por uma questão de honestidade, deviam dizer ao país quantos alunos chegam diariamente à escola sem terem comido um pão e bebido um copo de leite, porque os pais estão desempregados ou, estando a trabalhar, não têm um salário que chegue para alimentar a família.
Quando e se o PS quiser encarar estes problemas de frente, elaborando políticas integradas de emprego, apoio social, saúde e educação, mas também de requalificação urbana e de ordenamento do território, tornando a vida das pessoas menos dura e mais dignificada, de certeza que a direita deixará de ter hipóteses de governar.
O que o PS não pode, porque é desonesto, é continuar a pedir apoios à esquerda para continuar a governar a favor da banca, dos grandes grupos económicos nacionais e das multinacionais.
Anúncios