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Estamos a um mês das eleições legislativas.

Na blogosfera docente, e em particular nos blogues mais ligados aos movimentos de professores, multiplicam-se as intervenções (posts e comentários) de apelo ao voto contra o governo. Trata-se de uma posição justificada pela forma como, durante quatro anos e meio, todos nós fomos mal tratados por uma equipa governativa que elegeu os funcionários públicos em geral, e os professores em particular, como inimigos da nação e instrumentos de propaganda eleiçoeira.

Assim sendo nada haveria a contestar nas posições assumidas por ProMova, MUP, Apede e outros bloguers, não fosse dar-se o caso de insistirem em meter toda a oposição no mesmo saco, como se fosse indiferente que os professores preocupados com a qualidade da escola pública, e com a escola como instrumento de inclusão e equidade social, votassem à direita ou à esquerda.

Essa posição de “equidistância” face aos partidos que se apresentam às eleições é pouco responsável e constitui um verdadeiro embuste, uma vez que faz crer aos professores menos informados, e menos empenhados politicamente, que o CDS e o PSD têm propostas melhores para a educação do que o PS, podendo constituir alternativas credíveis aos programas que tanto o PCP como o BE já tornaram públicos.

Em primeiro lugar nenhum destes dois partidos explicitou as suas propostas sob a forma de um compromisso eleitoral (vidé nos sites do CDS e do PSD o que dizem sobre Educação).

Dizer, como diz o CDS, que “Entendemos que a educação é um dos domínios centrais para o desenvolvimento do país e sabemos que só com uma educação de elevada qualidade, com bons resultados, podemos construir uma sociedade mais coesa e mais preparada para enfrentar desafios e dificuldades.” não é sério, nem pode ser levado à conta de compromisso, da mesma forma que a reclamação de “Mais autoridade para os professores” não passa de um apelo escondido ao autoritarismo e à exclusão da diversidade, por imposição da conformidade com as posições das classes dominantes.

Quanto ao “programa do PSD”, que continua a aguardar pela luz do sol, apontará (de acordo com as fontes do jornal í) para a liberdade de escolha da escola pelas famílias:

“Dois ciclos de seis anos no ensino básico. Gratuitidade no ensino secundário. Contrato de autonomia com todas as escolas. Rever o ECD. Novo modelo de organização das escolas que promova os projectos educativos próprios e um novo sistema de avaliação para todas as escolas, a nível nacional, que permita a pais e alunos “optar pela escola que lhes pareça melhor”.”

Um programa de continuidade das políticas neo-liberais, na melhor tradição das alternâncias PS-PSD-PS-PSD que nos desgovernam desde 1976, e produziram uma extensa lista de ministros da educação de má-memória para a escola pública portuguesa, apesar de alguns deles poderem ser excelentes profissionais fora do ministério: Sottomayor Cardia, Lloyd Braga, Valente de Oliveira, Veiga da Cunha, Vitor Crespo, Fraústo da Silva, J.Augusto Seabra, J. Deus Pinheiro, Roberto Carneiro, Diamantino Durão, Couto dos Santos, M. Ferreira Leite, Marçal Grilo, Oliveira Martins, A. Santos Silva, Júlio Pedrosa, David Justino, Mª Carmo Seabra e M.L. Rodrigues.

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