Na sua crónica de hoje no DN, Mário Soares brinda os portugueses com mais uma peça de propaganda ao seu PS.

Do alto da sua longa experiência e provecta idade, o senador da república renega hoje o que aplaudiu ainda há meia dúzia de dias:

Na verdade, “as derivas do capitalismo financeiro do século XXI” vieram dar um reganho de actualidade ao grande teórico do “Capital”, cujas intuições geniais assumiram, com a actual crise, uma força inesperada. Os economistas clássicos, formados pelo neoliberalismo, recusam-se a compreender isso. É um erro. Como muitos dos socialistas neoliberais formados na “terceira via”, uma verdadeira fraude intelectual.

Então o homem do FMI, que negociou com Carlucci a ponte aérea que trouxe para Portugal a tropa de choque para fazer a contenção do comunismo e esvaziou as colónias dos seus quadros, entregando-as de bandeja às multinacionais que controlam a globalização capitalista, vem agora dar lições de marxismo aos seus amigos  Blair, Zapatero e Sócrates, seguidores do guru Giddens e da 3ª via.

Conviria não esquecer que este tipo de memória selectiva é, também ela, uma enorme fraude intelectual, intolerável sobretudo em quem continua a considerar-se uma voz imprescindível na vida política portuguesa.

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