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Nos últimos meses temos vindo a assistir ao aumento do coro das vestais de direita, que se sentem traídas pela ineficácia do governo socratino quanto à aplicação das medidas mais radicais do programa neo-liberal.

Se recordarmos as loas com que os corifeus do liberalismo incensavam as medidas de Pinto de Sousa, quando este afrontava e apoucava os profissionais que sustentam os serviços públicos com o seu saber e o seu trabalho, só podemos sorrir quando os vemos criticar o seu protegido. Afinal, como não conseguiu destruir os serviços públicos e não os entregou à iniciativa privada, como um dia chegaram a imaginar que aconteceria, já deixou de ser útil à direita, ao mesmo tempo que ficou impossibilitado de continuar a enganar a esquerda.

A crónica de Camilo Lourenço no Jornal de Negócios online é mais um exemplo acabado de  “viracasaquismo” e de tratamento injusto a quem deixou de ter utilidade para alguns fazedores de opinião encartados da nossa praça.

Ao mesmo tempo que se apresenta como “uma espécie de crítico” de quem até há pouco meses endeusava, CL mostra que o seu pensamento sobre Educação e sobre os professores é limitado pela sua formatação de direita.

Para ele o sistema educativo só faz sentido ao serviço dos interesses das empresas, como se depreende da afirmação “a pergunta que fica é: apesar de menos chumbos, os alunos saem com mais qualificações para enfrentarem o mercado de trabalho?” A redução do discurso de CL aos princípios do capital humano revela em que medida este jornalista económico, e comentador com assento em diversos OCS, não percebe nada de Educação e do que deve ser e para que serve a Escola Pública do séc. XXI.

Por outro lado, quando aparentemente procura criticar o governo e as suas políticas educativas, continua a usar uma linguagem provocatória e insultuosa para os professores “Sócrates já devia ter percebido que quando se compram guerras com certas corporações só há um de dois resultados: ou se ganha ou se perde. Não se empata. Ora, depois de tanto “sangue mau” entre as partes, em que o ministério tinha razão no conteúdo (objecto das reformas) mas não na forma (métodos), é duvidoso que os professores caiam neste namoro, desavergonhado, de última hora.” Em primeiro lugar continua a classificar os pofessores como “certas corporações” com as quais não se pode entrar em guerra, a não ser que haja a certeza de que se vai ganhar (preferencialmente esmagando). E ainda por cima continua a afirmar que o governo tinha razão quanto às reformas que introduziu, apenas falhando nos métodos que usou para as aplicar.

Resta saber se, para Camilo Lourenço, teria sido melhor aplicar as reformas com recurso ao chicote, de modo a pôr na ordem “certas corporações”.

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