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Hoje dei com este cartaz de propaganda eleitoral num post do Umbigo. Não tem a acompanhá-lo mais do que o título, que o identifica como estando à direita do Umbigo, mas tem já cerca de duas centenas de comentários.

Desde gente que acha que o cartaz, só por si, diz mais do que o programa do PCP sobre educação e quem aplauda por não ser “paleio de êduques”, até quem se interrogue sobre os conceitos de “Bom Ensino” e “Autoridade”, há lá de tudo.

Como não consigo valorizar gente que só consegue acrescentar ao debate frases como «Antes à direita do que à esquerda. Disse.», o que quero salientar neste cartaz (como num outro sobre segurança que está numa rotunda perto de mim) é a absoluta vacuidade da(s) proposta(s) que o(s) cartaz(es) apresenta(m).

Admitindo que havia consenso sobre o que significa um “bom ensino” e “autoridade”, coisa que está longe de acontecer, ainda assim não fica dita uma única palavra como se propõe o CDS legislar para que haja a tal “Autoridade” que leve ao tal “Bom Ensino”. Será que aponta no sentido de excluir da escola quem conteste a “autoridade”? Ou propõe-se aplicar o modelo de algumas escolas privadas norte-americanas, que são dirigidas por ex-marines e onde os “prevaricadores” são sujeitos a “tratamentos regenerativos” como os usados com os recrutas de algumas especialidades militares?

Mas concentremo-nos nos dois conceitos em que se sustenta o CDS para convencer os crentes – Bom Ensino e Autoridade.

Sobre o Bom Ensino é preciso saber o que significa.

Será que bom ensino significa o mesmo para o gerente de uma pequena loja de distribuição alimentar e para o accionista de uma empresa em que a criatividade e a inovação são a chave do sucesso? Para o primeiro é importante que os seus funcionários sejam disciplinados, obedientes e que saibam ler escrever e contar. Já para o segundo pouco lhe interessa ter robots sem autonomia para fazer mais do que manda o chefe.

Bom Ensino será apenas o que tem aplicação imediata no crescimento económico? As escolas com “Bom Ensino” serão as que obtém bons resultados académicos, mesmo quando promovem a competição a todo o custo e onde se ensina que qualquer meio serve para atingir um objectivo? Onde fica o ensino da solidariedade, da cooperação, da tolerância e do respeito pela diversidade?

No que toca à “Autoridade” de que estamos a falar? Será que alguém imagina que é possível “investir” os professores de “autoridade” como o rei “investia” os cavaleiros? Estamos a falar de uma autoridade burocrática, em que o professor exerce a “autoridade” por ser hierarquicamente superior ao aluno, ou estamos a falar da “autoridade” conquistada porque o aluno reconhece no professor um conjunto de qualidades que o levam a aceitar os seus conselhos e ensinamentos?

São apenas algumas questões que convém debater quando se aplaude acriticamente a demagogia e o disparate, próprios da época de caça ao voto em que viveremos até Outubro.