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Olhar para os quatro anos e meio de acção política de Maria de Lurdes Rodrigues à frente do ME, é perceber como foi possível que alguém, em nome de uma leitura positivista, mecanicista e quantitativa da realidade organizacional, tenha tentado impor um modelo assente nos princípios tayloristas de organização do trabalho escolar e de avaliação do desempenho docente.

Elencar o conjunto de medidas tomadas, cujas preocupações se centraram numa alegada redução dos “desperdícios” e “ineficácia” do sistema, é constatar que a socióloga que fez um doutoramento sobre o processo de profissionalização dos engenheiros em Portugal (no domínio da sociologia das profissões) não conseguiu perceber como funcionam as escolas e como se processa o desenvolvimento profissional docente.

Ao contrário do que MLR continua a defender as escolas não são empresas, às quais se possam aplicar os preceitos da racionalidade económica, mas são organizações onde a democracia se vive e se aprende, na medida em que constituem arena política e anarquia debilmente organizada em que se constroem culturas individualizadas.

É por isso que a busca de uma eficácia mensurável pelo número de horas utilizadas com as disciplinas mais valorizadas pela cultura empresarial, a hiper-valorização dos resultados académicos e a responsabilização do professor pelo eventual insucesso, a procura de uma racionalidade burocrática weberiana em que o conceito de liderança forte está intimamente associado à ideia de ter em cada escola um capataz director que reporta directamente ao nível hierárquico superior, acabou por saldar-se num estrondoso fracasso, que obrigará a um enorme esforço de reconstrução das relações laborais e da organização das escolas.

Foi um tempo perdido, que deve ser objecto de intensa reflexão, não só do novo inquilino da 5 de Outubro (depois das eleições legislativas) mas também de todos quantos se interessam pela escola pública como promotora de conhecimento, de equidade e de desenvolvimento pessoal e social dos cidadãos.

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