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O debate que a SIC promoveu ontem, entre os candidatos do PS e do PSD à câmara de Lisboa não serviu, aparentemente, para nada.

Quando digo “aparentemente” é porque estou convencido que, na verdade, aquele programa serviu o objectivo, não enunciado, que presidiu à sua realização – promover e vincar no eleitorado a ideia de um confronto esquerda/direita, polarizado nos dois partidos do centrão.

Nem A.Costa nem S.Lopes estavam muito interessados em “ganhar a câmara” no debate de ontem. Evidentemente que ambos tinham que evitar gaffes comprometedoras. Mas o objectivo do programa era vincar a ideia de que no país mediático e político apenas existem as alternativas corporizadas pelo PS ou pelo PSD. E isso é de uma importância vital para promover a bipolarização nas eleições legislativas.

Não deixa de ser curioso que a eleições que se vão realizar mais tarde tenham tido honras de abertura do debate político-eleitoral. No entanto, basta olharmos com um pouco mais de atenção, percebe-se o alcance da coisa.

A poucos dias de se entrar na pré-campanha para as legislativas, com entrevistas consecutivas aos líderes dos partidos concorrentes às eleições (em que todas as vozes terão que ser ouvidas), a que se seguirão debates com a presença dos dirigentes de todos os partidos, era fundamental deixar uma última mensagem de que só vale a pena escolher entre PS e PSD (porque só eles contam para governar).

Não podendo fazer um único frente a frente com Pinto de Sousa e Manuela Ferreira Leite, a SIC colocou no ar os putativos números dois de ambos os partidos, sob a capa das eleições para Lisboa. Não o fez por acaso.

Em Lisboa, as candidaturas de PS e PSD apresentam-se como polarizadoras dos votos alegadamente da esquerda e da direita, que as direcções dos respectivos partidos gostariam que tivessem tradução no voto popular de dia 27 de Setembro.

Aliás, numa operação de pesca à linha em tudo semelhante à que A.Costa protagonizou com o “acordo coligatório” que deu o 2º lugar a Helena Roseta e a cooptação de Sá Fernandes, também o PS nacional lançou as redes à “esquerda” pescando uma actriz e um antropólogo gay, que antes de terem convicções de esquerda e preocupações de solidariedade social, estão preocupados com os seus umbiguinhos. Pelo caminho, o PS ainda tentou “iscar” uma psicóloga que assina com três nomes, mas que parece ter mais convicções do que os outros dois.

Tudo o que iremos assistir nos próximos meses, em termos de fabricação da opinião pública, estará balizado pelo objectivo de excluir do debate e do acesso ao poder os partidos que possam obrigar o PS a inflectir à esquerda, assumindo a responsabilidade de cumprir os desígnios dos seus fundadores.

Para os interesses instalados, para os detentores do capital e para o lúmpen que vegeta à volta desses interesses (comentadores, jornalistas, funcionários e carreiristas do aparelho) é fundamental que o centrão não se desfaça.

Compete aos cidadãos, que estão fartos do desgoverno dos últimos 30 anos, dar voz às política alternativas, votando em consciência e de forma útil para correr com o parasitismo e a corrupção, que se foram instalando no país por acção de PS e PSD.

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