Etiquetas

, ,

«“Encurtar a carreira em cinco anos, permitir melhores condições de progressão para os professores que não consigam chegar a professor titular e um novo escalão de topo para que aqueles que estão neste momento no topo da carreira possam progredir. É isto que a Fenprof disse hoje que preferia que o Governo não aprovasse”, frisou o governante.»

Jorge Pedreira há muito que nos habituou a este estilo. Para ele, tal como para a “elite” dirigente do PS, os portugueses são uns pobres ignorantes e iletrados, pelo que “papam” qualquer argumento (por mais manhoso que seja).

Antes de aprofundar demasiado a análise do discurso de secretário de Estado começarei apenas pelas palavras ditas, e pela contradição que encerram [infelizmente os jornalistas, ou correspondem ao perfil de ignorância e iliteracia sugerida pelos governantes, ou estão mais preocupados com a vidinha do que com o serviço informativo que deviam prestar].

Quando o SE Pedreira diz que a proposta do governo ia no sentido de “melhorar as condições de progressão”, ao mesmo tempo que assume que essa melhoria se destina a quem nunca chegará ao topo da carreira, só pode estar a gozar com os professores. Mas mesmo assim não há notícia de que algum jornalista o tenha confrontado com o absurdo enunciado.

Como é que se melhora uma progressão que está bloqueada por natureza, a partir de um determinado estadio de desenvolvimento? Só quando se eliminar esse bloqueio. E isso implica a existência de uma carreira única e não de duas carreiras, que nem paralelas são.

É por isso que os professores (de quem a FENPROF é apenas a principal porta-voz e possui a legitimidade de ser a central com maior filiação sindical) exigem o fim da divisão da carreira e o fim da “titularidade”.

O ECD não tem que ser “revisto”. Tem que ser revogado e substituído por outro que seja baseado na confiança e no compromisso dos professores.

Ainda na passada sexta-feira, na conferência que proferiu na UCP, o Professor Antonio Bolívar voltava a recordar

«Dado que la enseñanza es un profesión compleja, obligada a atender múltiples demandas, para mantener la energía y el entusiasmo en el trabajo, los profesores necesitan mantener el compromiso y la pasión por el trabajo (Day, 2006).  Desempeña un papel de primer orden en conseguir los objetivos y misiones de la escuela, incrementar el profesionalismo docente y responder mejor a las demandas de los clientes (Park, 2005). Por su papel para mejorar la calidad de la educación, debe ser resueltamente reconocido y reforzado

Foi baseado exactamente no princípio oposto, que se sustenta na desconfiança e no descrédito, que o actual ECD foi construído. Foi por desconfiar do profissionalismo docente e da autonomia profissional dos professores que Maria de Lurdes Rodrigues, acompanhada e incentivada por Jorge Pedreira e Valter Lemos, e sob a supervisão de Pinto de Sousa, tudo fez para denegrir uma classe cujo valor social é reconhecido maioritariamente pela população portuguesa.

Foi por isso que se enganou estrondosamente quando afirmou que tinha perdido os professores, mas tinha ganho a população. Vive por certo num mundo paralelo, uma espécie de “País do Espelho” como Alice, só que em vez de um gato maluco ou um rei de copas, tem a companhia dos seus secretários de Estado. Até Setembro.

Anúncios