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… a menos que quem escolhe se sinta desconfortável com a opção que tomou, o que normalmente não anuncia nada de bom para o próprio.

Vem isto a propósito do post que Miguel Vale de Almeida publicou e no qual tenta explicar, não sei bem a quem, porque resolveu ir para a bancada do PS que ainda tem como líder Pinto de Sousa.

Não conheço pessoalmente MVA, mas julgo tratar-se de um indivíduo honesto, com uma sólida formação científica e intelectual e com um trajecto pessoal que o tem levado a assumir combates difíceis ao longo da vida.

Assim sendo parece-me aceitável que MVA considere que a sua participação no grupo parlamentar do PS pode permitir-lhe alcançar alguns dos objectivos porque se tem batido nos últimos anos. Isso chega-me para aceitar que o tenha feito.

Já me parece um pouco tonto e descabido que MVA nos queira convencer que o partido liderado por Pinto de Sousa vai passar a governar à esquerda. Essa parte era dispensável, o que significa que afirmar «que a linha de separação entre direita e esquerda deve passar entre o PSD e o PS» não passa de um desejo que não resiste ao mais pequeno esforço de análise das políticas anti-sociais que o governo realizou e continuaria a pôr em prática, caso tivesse condições para o fazer.

É que para governar à esquerda não basta ser defensor da igualdade de género, aprovar a IVG ou conceder igualdade de direitos a todos os cidadãos sem discriminação da sua orientação sexual.

É preciso também por cobro à privatização dos serviços públicos de saúde e educação na sua componente lucrativa, quando ao mesmo tempo se nacionalizam os prejuízos quer desses serviços, quer de empresas privadas geridas com base no lucro especulativo e na ganância.

Se para MVA é importante estar no grupo parlamentar do PS, por causa dos direitos individuais dos homosexuais, fez muito bem em aceitar o convite.

O que não pode é esquecer que foi esse mesmo partido, e esse mesmo grupo parlamentar, quem sustentou políticas como o código dos despedimentos trabalho, a alteração das condições de acesso à reforma, o encerramento de maternidades e escolas no interior do país, além do ECD e da ADD.

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