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«A ministra da Educação anunciou na passada sexta-feira a prorrogação do regime simplificado da avaliação de desempenho dos professores em termos idênticos ao aplicado este ano, porque neste momento seria “a solução mais adequada”, adiando para a próxima legislatura a aprovação de alterações ao modelo original.»

Traduzindo isto por miúdos, o que Maria de Lurdes Rodrigues quer dizer é que o seu modelo de ADD não tem ponta por onde se pegue e vai ser riscado do mapa a partir de Outubro, mas nem ela é capaz de o reconhecer, nem Pinto de Sousa lhe permitiria tal veleidade, porque isso ainda lhe custaria mais uns milhares de votos de quem inveja o estatuto dos professores.

Todos sabiamos há muito tempo que o governo ia enfrentar um dilema terrível no início do próximo ano lectivo, porque este vai coincidir com o início do chamado 2º ciclo de avaliação:

  • Por um lado MLR já não possui o apoio político e a simpatia dos mídia, que lhe poderia permitir o regresso ao modelo integral de avaliação, desenhado no ECD e concretizado no DR 2/2008;
  • Mas por outro lado, na estratégia de fuga à realidade que caracterizou a sua acção, o ministério estava obrigado a ter uma solução diferente do simplex, uma vez que o DR 1-A/2009 tem como horizonte temporal o dia 31 de Agosto deste ano.

Só que nem Maria de Lurdes Rodrigues, nem os seus secretários Lemos & Pedreira foram capazes de “fazer os trabalhos de casa”.

Primeiro porque a arrogância, a pesporrência e a ignorância que sempre patentearam no relacionamento com os professores, e os seus legítimos representantes, não lhes permitiriam ter a humildade de reconhecer que erraram desde o início na abordagem aos problemas da Escola Pública.

Depois porque a estratégia do governo assentou numa leitura da sociedade em geral, e dos professores em particular, que os levou a pensar que toda a gente se submeteria ao “diktat” do 1º ministro. Fosse por incapacidade de o contestar politicamente, fosse porque tivessem medo de eventuais represálias.

Num primeiro momento tal estratégia resultou. Só que houve gente que resistiu. Primeiro os sindicatos que se mobilizaram, logo em 2005, contra as alterações ao estatuto que foram sendo realizadas com o apoio dos PCE’s que aceitaram passivamente imensos abusos (como as substituições sem pagamento de horas extraordinárias).

Mais tarde os professores, isoladamente na blogosfera ou através de movimentos inorgânicos, que ajudaram a potenciar a capacidade mobilizadora dos sindicatos, traduzindo-se nas mega-manifestações e nas greves a mais de 90%.

Por tudo isso, quando o secretário Pedreira diz “Se cada vez que houvesse um novo Governo se suspendessem as leis, o país não poderia funcionar. Há um regime que está em vigor e esse regime deve prosseguir”, ou ainda “Não há razão para o fazermos, aliás nenhum estudo recomenda isso. Os estudos recomendam que não devemos pôr em causa aquilo que já foi feito e é isso que o ME faz ao propor a prorrogação do regime transitório até que seja possível fazer uma revisão mais de fundo e de acordo com as recomendações dos estudos”, só apetece perguntar-lhe se leu os estudos, ou se como alguns deles vêm escritos em inglês (que não é “inglês técnico”) se limitou a ler a tradução que algum assessor iletrado lhe fez.

É que queira ou não o trio Lurdes, Pedreira & Lemos, o modelo de avaliação que tentaram impor está morto e enterrado. O que é uma enorme vantagem para a Escola Pública e para a juventude portuguesa, porque depois de os três se irem embora voltará a ser possível avaliar os professores e as escolas.

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