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Vários dos blogues “de referência” na luta dos professores chamaram a atenção para o editorial de ontem do jornal Público sobre «O adeus à ministra».

Não consegui perceber se concordam ou não com o texto porque, ao contrário do que acontece muitas vezes com outros textos dados à estampa na CS escrita, não existe uma linha de comentário sobre o que Manuel Carvalho assina.

Como nada me liga ao Público, a não ser a minha condição de leitor, sinto-me à vontade para escrever que o texto me parece um adeus, mas um adeus penoso a uma ministra por quem o editorialista nutre alguma simpatia.

E que vê partir com mágoa, por sentir que ela não conseguiu fazer as reformas que queria (e que o editorialista provavelmente subscreveria na totalidade).

Parece-me que é com grande tristeza que Manuel Carvalho se refere à “coragem” que a ministra demonstrava há alguns meses, por comparação com esta forma penosa com que abdicou de governar a dois meses das eleições.

Noutro passo o editorialista lamenta a “insensibilidade” da ministra, não porque veja nisso uma falha, mas apenas porque a impediu de atingir “as áreas mais conservadoras e retrógradas da docência”.

E mesmo a acabar, Manuel Carvalho retoma o argumento mentiroso e aldrabão em que assentou toda a propaganda contra os professores – «Num futuro próximo, seja qual for o governo, a progressão automática vai acabar», tendo até o desplante de afirmar que temos que agradecer a MLR “esta mudança”. O que significa que o editorialista ainda não percebeu absolutamente nada sobre a avaliação dos professores e a luta que se desenvolveu em torno do ECD e da gestão das escolas.

Ou então percebeu, mas faz vista grossa porque concorda em absoluto com as políticas economicistas e neo-liberais do governo socratino.