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Alberto João Jardim, no seu estilo desbocado e provocatório, veio há dias propôr a ilegalização do comunismo.

O argumento aduzido pelo caudilho da Madeira é de que a Constituição proíbe o fascismo e, como tal, de igual modo devia ser proíbido o comunismo.

Se não fosse patético e risível mereceria, de facto, uma contra-argumentação vigorosa.

Mas não é de Alberto João Jardim que me quero ocupar agora. É dos “indignados” membros do centrão e de todos os acólitos que durante três décadas têm vivido à sombra protectora desse centrão. Trata-se de gente que há muito excluíu o PCP do que chamam o “arco governativo”, mas vêm agora apontar o dedo ao presidente do governo regional da Madeira, como se ele não se tivesse limitado a dizer em voz alta o que todos eles pensam e dizem em surdina.

De resto, basta ter estado atento ao discurso produzido por qualquer militante ou simpatizante de PS, PSD ou CDS, desde as eleições europeias, para constatar que para esta “inteligentzia” o comunismo há muito que está excluído. E o mesmo pensam e dizem comentadores e directores de órgãos de comunicação social.

Ainda ontem, nesse verdadeiro jornal de referência para o estado a que este regime chegou – o “Expesso” – foi dado à estampa um artigo sobre 7 cenários 7 para depois das eleições.

A leitura desse artigo, como de resto toda a opinião que é veiculada na CS escrita e falada, permite perceber que há um quarto dos portugueses que votam que não contam para nada. É que todos os cenários são construídos em torno da criação de governos do PS sozinho ou coligado à direita, ou do PSD sozinho ou coligado também à direita. Como logo no início o articulista considera que PS e PSD somados andarão à volta dos 68% e se a isso somarmos cerca de 7% para o CDS, constata-se que 25% dos votantes estão à partida fora do jogo.

Se Alberto João Jardim os quer excluir através da lei, estes hipócritas fazem-no negando-lhes a existência democrática, sob a aparência de uma análise rigorosa e independente do “interesse nacional”.

Trata-se, por ventura, da pesada herança que Mário Soares deixa a este país – condenar os portugueses a terem um partido de centro direita (PS de Vitorino, Guterres, Sócrates & Companhia), que sob a capa do socialismo democrático impede que o país seja governado à esquerda.

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