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Em bom rigor o discurso já estava preparado. O candidato Vital já tinha ensaiado a ideia, um pouco ao de leve, ainda antes de lhe passar pela cabeça a estrondosa derrota de que é a cara mais mediática.

Nos últimos dias de campanha a tentação de acenar com o papão da esquerda radical, que tornará ingovernável o país, foi algo que começou a aflorar no discurso pêéssiano. O último cartaz de campanha é o melhor exemplo, quando em desespero de causa o PS se tentou apresentar como o único a defender o país da crise exterior.

Mas também os comentadores e analistas da direita andavam preocupados. No programa de condicionamento debate político mais antigo das televisões portuguesas, Pacheco Pereira primeiro, logo seguido de Lobo Xavier e António Costa, anda há várias semanas a alertar os portugueses para a eminência dos perigos da votação na CDU e no BE.

Para além dos tais perigos da ingovernabilidade, o último alerta que deixaram foi o da fuga dos investimentos, dos problemas com o rating da república e, até, da menor atractibilidade do país para os imigrantes, que segundo os três gurus da política nacional preferem países com mais governabilidade.

Parece que, segundo todos estes iluminados não deixarão de nos esclarecer nos próximos quatro meses, caso a esquerda tenha que passar a ser ouvida no parlamento, influenciando o rumo das políticas públicas no sentido de as aproximar dos cidadãos e de dar resposta aos problemas sociais, corremos o risco de os Amorins, os Berardos e os Belmiros irem pregar para outra freguesia. Se isso for verdade e com eles levarem também os Constâncios, os Loureiros, os Costas e Rendeiros, mais os seus peões de brega, como os que peroram sobre a (in)governabilidade para que tudo fique como nos últimos 30 anos, talvez fosse uma benção para quem trabalha.

É que se estes senhores ainda não perceberam, os cemitérios estão cheios de insubstituíveis e nos últimos 30 anos foram vários os países que, depois de terem corrido com os insubstituíveis que se governavam à custa da “governabilidade”, passaram a ter níveis de desenvolvimento bem maiores do que os deste Portugal da União Nacional disfarçada de Bloco Central.