Etiquetas

,

Agora que o “teste” de dia 30 foi superado, com inegável sucesso, pelas dezenas de milhar de professores que não se deixaram arrastar pelos cantos de sereia, é tempo de começar a separar águas e saber com quem podemos ou não contar para as próximas batalhas.

Todos sabemos que os professores contituem um grupo profissional cuja diversidade assenta em múltiplos factores – de formação inicial e ao longo da carreira, de origem étnica, cultural e social, mas também de orientação religiosa e política. Daí que o surpreendente seja a unidade possível no seio dessa diversidade.

Também por isso é interessante prestar atenção a algumas das reacções de gente que reclama (com muita ou pouca legitimidade, tanto faz) protagonismo e influência na mobilização das lutas.

Tentando abarcar um espectro amplo de visões e/ou posições, escolhi (não de forma inocente) quatro posts de quatro bloguers, em que o tema tratado é a manifestação e o discurso de Mário Nogueira. Os “seleccionados” foram o “Umbigo” pela influência que tem (não apenas junto dos professores, mas sobretudo na opinião publicada que o ouve e lê atentamente), o “Reitor” pela forma respeitosa com que é referenciado por muitos outros professores bloguers, o MUP pelo labor com que se dedica a manter acesa a chama da sua cruzada e os “Berloques” porque a Isabel Pires acabou de ser eleita para a direcção central do maior sindicato da Fenprof – o SPGL.

O primeiro aspecto a ressaltar é que entre os quatro não houve unanimidade quanto à leitura do discurso de Mário Nogueira. Regista-se até a curiosidade de a dirigente sindical Isabel Pires estar mais próxima do Reitor na contundência das suas críticas, do que do Umbigo e do MUP, que não se caracterizam por serem particularmente afectos à vida sindical em geral e à militância comunista de Mário Nogueira.

  • Na verdade o MUP preferiu centrar-se no sucesso da manifestação e no acerto da sua previsão, sem se deter no conteúdo do discurso e da moção votada pelos manifestantes;
  • Quanto ao Umbigo, tendo andado por ali pela Avenida (em reportagem fotográfica e controlando os ganhos e perdas dos outros actores), resolveu enfatizar a qualidade do discurso do líder da Fenprof, apenas criticando o timing que considerou tardio. Claro que não resistiu à pequena provocação de acusar os outros (são sempre os outros, não é?) de terem segundas intenções e andarem a tratar da vidinha. Mas isso é mais feitio do que defeito – está-lhe agarrado ao mais profundo do seu ser;
  • Já o Reitor, depois de reconhecer o sucesso da manifestação (que não previra e eventualmente nem desejava), assume claramente que o que o incomoda é que Mário Nogueira seja comunista e que o discurso sindical tenha um conteúdo político. Talvez não seja por mal, até porque o mais certo é que para o Reitor a sua política seja o trabalho (salvo comparações com outros tempos mais recuados);
  • Finalmente o post dos Berloques é para mim o mais surpreendente. Não pelo seu conteúdo, que acho perfeitamente normal escrito pela Isabel Pires, mas pelo facto de se atrever a publicá-lo, quando foi eleita há menos de quinze dias jurando lealdade e fidelidade à liderança da Fenprof. No entanto tenho que lhe gabar a coragem de dizer alto o que outros escondem por vergonha ou mero taticismo.

O que se passa é que a Isabel Pires assume a sua preocupação e a sua afeição pelo PS (afinal, como ela diz, na Plataforma só a Fenprof não é do PS, mas por ela isso ficará resolvido já no próximo ano), o que a leva a recriminar Mário Nogueira quando este declara a sua oposição ao querido líder e à continuação da sua maioria absolutamente antidemocrática.

De resto, todos os outros têm o mesmo tipo de preocupação: a alegada instrumentalização dos sindicatos por parte do PCP. Porque essa é a instrumentalização “perigosa”, já que a outra, a do PS ou do PSD de João Proença e de Dias da Silva já é uma instrumentalização tão “benigna”, que nem chega a ser instrumentalização.

Anúncios