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… seria o mínimo que o candidato Vital devia ter, se efectivamente quisesse ser levado a sério.

Hoje à tarde, ao ouvir numa rádio a argumentação em que baseia as suas acusações contra o seu ex-partido, fiquei completamente estupefacto. A tal ponto que, para confirmar se não teria ouvido mal, ou se não seria alguma montagem, resolvi socorrer-me de um jornal on-line.

E não é que lá estão, preto no branco, os argumentos que se poderiam aceitar a um vulgar campónio iletrado, mas que são inaceitáveis quando proferidos por um iminente constitucionalista (um “doutor de Coimbra”, nas palavras basbaques de um outro doutor de Coimbra que há mais de 35 anos é uma das eminências pardas deste regime e que tanto se esforça por continuar a herança funesta dos doutores de Coimbra iniciada com Salazar).

«”Alguém tem dúvidas de que eram militantes do PCP? Há coisas notórias que não precisam de demonstração”, disse. A prova, segundo o cabeça-de-lista socialista, ex-militante comunista, de que os protagonistas dos actos de sexta-feira eram do PCP está nas “invectivas” de que foi alvo: “Tipo traidor, tipo vendido, traíste o partido”.»

Se não tivesse sido eu próprio a ouvir, e se alguém me viesse contar esta “estória”, o mais certo seria duvidar da veracidade da afirmação. Então um doutor de Coimbra, um eminente constitucionalista, faz um julgamento sumário na praça pública e, para proferir a sua sentença, fundamenta-a na afirmação de que “há coisas notórias que não precisam de demonstração.”

Mas em que país estamos? Será que os cidadãos, que por acaso são jornalistas, que foram processados pelo 1º ministro também poderão dizer, em abono das suas teses sobre o Freeport, que “há coisas notórias que não precisam de demonstração”? Será que numa próxima revisão constitucional o candidato Vital vai propor que nos nossos tribunais os juízes passem a julgar proferindo como sentença que “há coisas notórias que não precisam de demonstração”?

É que tudo isto é muito estranho e cheira demais a encenação mal enjorcada. Talvez neste caso quem anda a fazer a caramunha tenha sido quem fez o mal. Até porque, de acordo com uma fonte geralmente muito bem informada e a quem atribuo tanta ou mais credibilidade do que ao candidato Vital, dois dos alegados molhadores da comitiva Vitaliana já estão identificados através de fotos e videos. Um está inscrito numa secção do PS numa localidade alentejana, enquanto o outro é assalariado do BE. Se se confirmar esta informação ainda quero ver quem vai ter que pedir desculpas a quem. 🙂

Adenda: No blogue Do portugal Profundo, conforme informação que o Ramiro colocou em comentário, encontram-se estas duas fotos em que  o rapaz de cabelo loiro parece que é o mesmo nas duas ocasiões. No vídeo disponível no site da RTP o rapaz loiro parece dar início às agressões verbais, mas mal percebe que os jornalistas se aproximam desaparece do alcance das câmaras, evitando ficar identificável. É sem dúvida um provocador. Resta saber por quem foi pago para fazer o “servicinho”.

 

cortesia de Do Portugal Profundo - http://doportugalprofundo.blogspot.com/

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