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O post que publiquei sobre o discurso de MLR na abertura do X Congresso da SPCE começou já a ter como efeito o retomar de um conjunto de críticas, injustas e infundadas, sobre as designadas Ciências da Educação e em particular sobre as pessoas que produzem conhecimento científico na área da Educação, do Sistema Educativo e da Escola.

O Ramiro Marques, depois de um comentário ao tal post, publicou uma entrada em que se atira (como gato a bofe) aos cientistas da educação. Imediatamente foi secundado por uns quantos professores que acham que todo o mal da escola desapareceria se não houvesse investigação científica sobre a Educação: «Não tenho tempo agora, para procurar e colocar aqui essa mesma denúncia (do silêncio) feita pelo Pierre Bordieu, sobre todos os intelectuais e especialistas, que preferem conviver com o poder, do que conviverem com aqueles que têm o direito de lhes exigir posições intelectualmente honestas.»

É pena que estes comentadores (e o próprio Ramiro) não tenham estado na tal sessão de abertura. Aí teriam ouvido, como a ministra (e todos os presentes ouviram) o Professor João Barroso fazer uma crítica clara e fundamentada à forma hipócrita como o poder usa o conhecimento científico para justificar algumas das suas decisões políticas, ignorando esse mesmo conhecimento e a opinião de quem o produz, quando tal é desfavorável à agenda política.

Quanto ao alegado silêncio dos especialistas sobre as malfeitorias do poder político em relação aos professores, talvez fosse interessante que, tanto o Ramiro como os seus comentadores, pensassem porque motivo o Congresso não foi objecto de interesse noticioso. Porque será que o discurso da ministra não está disponível em nenhum jornal? Ou em algum sítio online de outro meio de comunicação social? E que notícias tiveram até hoje sobre o que lá se passou?

Já se interrogaram porque motivo um congresso com mais de 370 comunicações, 4 mesas redondas e 3 conferências não despertou o interesse de nenhuma televisão, nenhuma rádio e nenhum jornal de âmbito nacional? Por vezes o “silêncio” não se deve ao facto de não haver emissor da mensagem, mas apenas ao facto de o canal de comunicação ser deliberadamente truncado.

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