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Há quem, entre os professores, ache que a luta em defesa da Escola Pública de Qualidade para Tod@s e da dignidade profissional dos professores se deve desenvolver fora do quadro político e fora do contexto das eleições que se vão realizar este ano.

Neste momento, em relação à possibilidade de agendamento de acções de luta próximas ou coincidentes com a campanha para as eleições europeias, nota-se uma grande preocupação do partido do governo, mas também de muitos professores que se declaram contra o que chamam de «instrumentalização da luta dos professores pelo PCP e pelo BE».

Ao contrário destes colegas, penso que não há qualquer instrumentalização. O que há, neste caso, é uma convergência de interesses que permite a conjugação de esforços para dar mais voz a quem defende a escola pública e os professores.

Em particular no que diz respeito às eleições europeias, tudo o que se possa traduzir num enfraquecimento das orientações neo-liberais, que têm dominado as políticas públicas da Comissão Europeia e do Conselho, é de enorme utilidade para a Educação e para o futuro dos cidadãos europeus.

Para quem tenha dúvidas sobre quem tem determinado as políticas educativas que os vários governos europeus têm seguido nos últimos anos, aconselho vivamente a leitura de alguns documentos estratégicos sobre Educação produzidos pela UE. Quase todos assentam nas teorias do capital humano e na defesa de uma globalização económica ao serviço do capital financeiro.

Trata-se de uma consequência natural do facto de os decisores políticos estarem cada vez mais sob a influência das multinacionais, o que permite que instâncias informais sem qualquer legitimidade política, como é o caso da ERT [European Round Table of Industrialists] se permitir usar a “cobertura científica” de universidades europeias e da CRE [Conference des Recteurs Européens] para aconselhar os estados membros a promover a “Educação para os Europeus – em direcção à sociedade do conhecimento” ou “Investindo no Conhecimento – a integração da tecnologia na educação europeia“.

Quem estiver mais interessado em saber quais os membros da ERT poderá fazer uma rápida pesquisa na rede.

Mas aproveite também para dar uma olhada à página de entrada, onde poderá ler: «European industry cannot flourish unless it can compete in a global economy. This capacity to compete cannot be determined solely by the efforts of individual companies… ERT therefore advocates policies, at both national and European levels, which help create conditions necessary to improve European growth and jobs.»

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