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O Ramiro Marques, procurando fazer uma síntese das posições que se podem ler na blogosfera docente, afirma que se nota uma divergência entre as propostas da plataforma sindical e as dos movimentos “independentes” de professores. É uma constatação inatacável.

Mas depois, fazendo um apelo a que “sindicatos e movimentos” oiçam os professores, comete um erro de análise, segundo a minha opinião.

De facto, parece-me haver uma pequena inexactidão no seu raciocínio quando pergunta se os sindicatos e os movimentos serão capazes de ouvir os professores, porque tanto as pessoas que são sindicalizadas como as que se reclamam dos movimentos são professores. Donde se pode concluir que se há professores que não fazem ouvir a sua voz é porque não a levantam.

  • A participação nas reuniões sindicais é aberta a qualquer professor e não existe nenhum limite à intervenção de não sindicalizados;
  • A participação em reuniões promovidas pelos movimentos também é aberta a quem queira comparecer;
  • A inscrição em qualquer sindicato é livre e o exercício dos direitos reservados aos associados apenas exige o cumprimento das obrigações estatutárias. Só não se inscreve quem não quer;
  • Do mesmo modo, a adesão a qualquer movimento é livre e nem sequer exige o cumprimento de exigências estatutárias (penso que a excepção seja a Apede, que julgo ter estatutos aprovados e publicados em DR);

Dito isto, afirmar que “os sindicatos” não ouvem os professores é revelador de grande injustiça. Não se pode ouvir quem não quer falar.

E quem não quer falar tem tanta legitimidade para reclamar das decisões tomadas, como os abstencionistas têm de exigir que os governos que sejam eleitos, em eleições livres e democráticas, não deviam ser constituídos pelos partidos vencedores.

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