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O Paulo G. retoma aqui a questão de saber até que ponto cada um dos contendores está disposto a ir, procurando refletir em torno das posições dos PCE’s “menos alinhados” com o poder governamental.

Da mesma forma o Paulo P. e o Ramiro M. abordam a questão da luta e as expectativas que as posições desses PCE’s foram criando em muitos professores que acham que se deve continuar a resistir.

Por mim prefiro declarar a minha desconfiança, a priori, em relação às boas intenções de qualquer PCE que não se tenha demitido na sequência das ilegalidades e malfeitorias cometidos pelo ministério de MLR. Tiveram quatro anos para descobrir os erros, os disparates e a prepotência centralista que emana dos corredores da 5 de Outubro e das DRE’s.

Podiam e deviam ter apresentado a demissão, recusando-se a ser os pretores de tão mal-fadada gente.

  • Não o fizeram em 2005 quando os obrigaram a fazer escalas de serviços mínimos para os exames, ajudando a boicotar uma greve que podia ter obrigado a inflectir as políticas repressivas do ministério.
  • Não o fizeram quando obrigaram ilegalmente os colegas, que os haviam eleito, a fazer horas extraordinárias sem a respectiva remuneração.
  • Não o fizeram quando se provou que a avaliação era apenas administrativa e nada trazia para melhorar as práticas lectivas.
  • Não o fizeram quando receberam ordens para alterar notas de avaliações de colegas, em função de quotas administrativas.
  • Não o fizeram quando os simplex I e II introduziram mais ilegalidades e injustiças no processo.
  • Não o fizeram quando começaram a ser instados a perseguir e intimidar professores que não vergam e se limitam a exercer a cidadania plena, dando o melhor exemplo a toda a sociedade do amor à verdade, ao direito e à justiça.

Não tinha grandes expectativas em relação a tão fraca gente. Quatro anos de convívio com o abuso de poder socialista, que se somam a muitos anos de não exercício das margens de autonomia que a legislação permitia, não auguravam nada de bom.

A declaração dos 180 PCE’s que se reuniram em Lisboa não acrescenta nada à luta que eu sempre disse que ia ser longa e sem tréguas.

Seja o que for que vai acontecer daqui até Outubro, a batalha decisiva será travada nessa altura. O que acontecer nas eleições legislativas e a correlação de forças entre a direita e a esquerda vai determinar o futuro da luta e qual o campo que sairá vitorioso.

No dia de ir ás urnas os professores devem lembrar-se que as políticas que degradam a Escola Pública e afrontam toda a classe docente são a concretização por parte do PS de velhos sonhos do PSD e por isso Maria de Lurdes Rodrigues tem tido sempre o apoio e conforto do Presidente Cavaco Silva. Nesse sentido é determinante saber, neste confronto, onde está a linha que separa a esquerda da direita. Tal como será determinante perceber o que significará apoiar Alegre caso este não rompa em definitivo com Pinto de Sousa.

Não esquecendo que a chamada “esquerda do PS” ainda há dias viabilizou a vitória das taxas moderadoras na saúde, apesar de vir para a comunicação social afirmar que defende outras políticas sociais.