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José Leite Pereira é director do JN.

Como qualquer português, desde o derrube da ditadura, tem direito a exprimir a sua opinião. Também tem direito às suas convicções e simpatias políticas.

Já como director de um jornal, que se pretende de referência, embora não tenha que abdicar dos seus direitos de cidadania (e de opinião), tem a obrigação de ser rigoroso, ao ponto de não defender hoje o contrário do que defendia ontem.

Vem isto a propósito da crónica que assina hoje, na qual defende que «Mas as actividades lúdicas fazem – devem fazer – parte da escola e ajudam à integração dos jovens.»

É que há mais de três anos que os professores se fartam de dizer que a escola não se resume ao espaço/tempo de ensino formal de cada aula, dentro de cada sala, com cada turma dirigida por um professor. Há mais de três anos que os professores alertam para que o aumento do tempo escolar em sala de aula, introduzido pelas substituições e pelo prolongamento das actividades escolares que foi determinado pela ministra da educação, era um erro precisamente porque  as actividades lúdicas devem fazer parte da escola e ajudam à integração dos jovens.

Ao contrário, José Leite Pereira, de resto acompanhado pela generalidade dos comentadores encartados que sabem tudo sobre a escola porque há muitos anos a frequentaram, foi nestes mais de três anos um entusiástico apoiante da ministra e das suas políticas educativas, entre as quais as que encerram as crianças dentro das salas de aula o dia inteiro, e de que o prolongamento das actividades escolares é o melhor exemplo. Apesar de tais medidas reduzirem o tempo para as actividades lúdicas que devem fazer parte da escola e que ajudam à integração dos jovens.

Mas esta crónica de José Leite Pereira tem que ser tomada à conta de uma Coisa de Carnaval, percebendo nós que o objectivo do director do JN é tão só o de defender a sua dama, sem curar de saber se o que hoje é verdade, era ontem mentira.

O que sendo um comportamento aceitável ao cidadão José Leite Pereira, é claramente condenável no director de um jornal centenário como o JN.

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