Etiquetas

,

O Ministério da Educação pretende manter a divisão da carreira entre professores titulares e não titulares. “A estruturação vertical da carreira, com a reserva das funções de coordenação, supervisão e avaliação a um grupo determinado de docentes, é um instrumento imprescindível para a organização do trabalho das escolas”, disse Jorge Pedreira.

O ME propõs contudo algumas alterações ao actual ECD, como a criação de um novo escalão de topo na categoria de professor, o escalão sete (indíce 272), que permitiria um acréscimo salarial aos docentes não titulares que lá cheguem (…) O ME (…) quer ainda criar um novo escalão de topo na categoria de professor titular, o escalão 4, com indíce 370, equiparando estes docentes aos técnicos superiores da administração pública.

O que é novo na escola pública do século XXI é a organização escolar e não propriamente a função docente  ou a actividade pedagógica. É precisamente para a escola, enquanto organização e constructo social, que se torna necessário olhar para percebermos de que forma os actores reinterpretam as normas, fazendo uso de racionalidades próprias que permitem perseguir objectivos divergentes e até contraditórios, em busca de resultados mutuamente satisfatórios e que não ponham em causa a função essencial da escola – a relação ensino/aprendizagem.

É com base numa reinterpretação “neolib”/”neocon” deste olhar sociológico sobre a escola, e sobre os profissionais que nela trabalham, que assenta a política educativa de cariz neo-conservador do governo liderado por Pinto de Sousa. A questão que divide os profissionais da sua tutela, e que se agrava com as intervenções desrespeitosas dos secretários de Estado, pode ser sintetizada na diferença que existe entre quem acredita na dignidade da pessoa humana e quem se esforça por encontrar o preço pelo qual cada homem está disposto a vender-se.

O anúncio  feito hoje pelo SE Pedreira, avançando com a compra de titulares e não titulares (índices 370 e 272), revela a forma como este governo olha para os portugueses: todos se vendem e até nem regateiam muito o preço.

Infelizmente para o governo P(into) de S(ousa) há mais portugueses com a coluna erecta do que eles imaginam. Felizmente para Portugal, e para as gerações futuras, há mais gente que não se vende do aquela que lhes convém.

É por isso que propostas como a que foi feita hoje de manhã, pelo SE Pedreira, são propostas desqualificadas e que só não nos fazem rir porque o estado da educação e da escola pública é demasiado sério para ser levado na brincadeira.