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“Esta coisa de despejar a matéria e depois esperar que, em casa, os pais tenham literacia suficiente e computadores para ajudar os filhos a perceber as matérias tem que acabar, porque o mundo mudou e as escolas têm que se adaptar.”

Curto e grosso, que é como o excelso criador de paradigmas sócio-educativos que dirige a Confap gosta de falar, acreditando que assim é mais ouvido.

De facto, quem o ouvir sem lhe prestar a devida atenção por certo que não “o leva preso”. Mas basta fazer um pequeno esforço para tentar entender o paradigma albiniano, e logo se constata a contradição entre a frase emblemática e sonora (que os papalvos absorvem de forma acrítica) e a verdadeira intenção, demagógica mas explicitamente escondida, que subjaz à proposta do “secretário de estado para as famílias” deste ministério.

Vejamos:

  • o paradigma albiniano sugere que as escolas abram duas horas e meia antes de começarem as actividades lectivas e fechem duas horas e meia depois de terminarem as actividades de enriquecimento curricular;
  • este aumento proposto cifra-se numas “modestas” 5 horas por dia;
  • as actividades “sugeridas” incluem visionamento de filmes, visitas a museus e outros mimos;
  • estas actividades devem compensar a falta de literacia e de computadores dos pais, que os impedem de ajudar os filhos a perceber as matérias, porque estas cinco horas não devem servir para aumentar a carga lectiva dos petizes;
  • daqui se depreende que a próxima sugestão seja a de definir um novo horário de funcionamento dos museus (ou outros locais a incluir no roteiro de visitas das crianças) – das 07:30 às 09:00 e das 17:00 às 19:00;
  • claro que nada disto está ligado com o interesse das empresas e dos patrões terem os seus emprgados (pais das criancinhas) disponíveis para horários mais flexíveis e maiores;
  • o paradigma albiniano apenas visa compensar a iliteracia dos pais, que segundo a visão de AA estão hoje menos capacitados a ajudar os seus filhos do que os nossos avós em relação à nossa geração.

O ódio que este senhor tem aos professores, e o seu empenho em ser útil ao ministério e ao governo, é tão grande que nem percebe o ridículo e a contradição destes seus enunciados. Mas continua a haver quem lhe garanta um palanque permanente, de onde possa fazer ouvir todos estes disparates.