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Num longo comentário a um post meu, o Ricardo Silva afirma que: «Mal posso esperar pelo teu post INDIGNADO com semelhante traição!»

A “traição”, na visão conspirativa do Ricardo, consubstancia-se no facto de o presidente do Sindep ter em tempos proposto a radicalização da luta (com greves prolongadas) e de no passado sábado ter ido à manifestação a Belém.

Ainda de acordo com essa visão conspirativa, todos os dirigentes dos vários sindicatos que pertencem à plataforma devem uma obediência cega a uma estratégia definida por esse conhecidíssimo comunista de bigode, que dá pelo nome de Mário Nogueira. E, claro que eu, paladino do SG da Fenprof, terei que ficar irritado e indignado, quando algum traidor se desviar do caminho traçado.

De facto há gente que não se enxerga!

Mas como sei que a organização a que pertence o Ricardo anda preocupada porque:

Como referimos atrás, do número de sócios dependem os meios financeiros de que dispomos para desenvolver actividades que são, de facto, dispendiosas. (…) Presos como temos estado a outras actividades, que nos levaram a negligenciar as campanhas de angariação de sócios, não conseguimos ainda a base financeira (…)

quero acreditar que a abertura de uma polémica, na base em que o Ricardo a coloca, pode de algum modo constituir um apoio ao esforço para angariarem mais alguns sócios.

Bem sei que o meu blogue não é dos que tem mais visibilidade e, se calhar, até é visitado preferencialmente por perigosos sindicalistas. Ainda assim talvez consiga arranjar mais meia dúzia de inscrições e cumpra o objectivo.

Mas retomando a questão importante:

  • Os movimentos acusam a plataforma sindical de não convocar uma greve por vários dias (3, 5, tempo indeterminado) e deixarem os professores sem um horizonte de luta para o futuro;
  • De acordo com a visão do Ricardo o sucesso de uma tal iniciativa estaria garantido, apresentando-me como prova irrefutável desse alegado sucesso o facto de algumas centenas de comentadores de blogues afirmarem que estão dispostos a fazer uma greve prolongada;
  • Em contrapartida ele e a sua organização acham pouco mobilizador para a luta a recusa de entrega dos OI’s,

Trata-se de uma análise que só não é para rir, porque o assunto é demasiado importante para ser levado de forma tão leviana.

Há mais de 140 mil professores. Dentro de mais uns dias veremos quantos fomos capazes de resistir individualmente, não entregando os OI’s. Porque como disse num post anterior

participar numa manifestação, no meio de dezenas de milhar de outras pessoas, vindo em excursão, ou até faltar à escola num dia de greve, não é nada de difícil e que ponha à prova o carácter de alguém. Difícil é dizer não. Difícil e corajoso é ter a capacidade de não pactuar e aceitar as consequências individuais dessa recusa.

Quando alguém fala em 50% de adesão a uma greve de professores, com mais de três dias, apenas denota o mais completo desconhecimento da realidade. Mesmo juntando os 15/20 mil de que ufanamente falam alguns dirigentes de movimentos, isso pouco passaria de 10% de adesão.

Já agora seria interessante saber quantos dos que estiveram no sábado em Belém entregaram os OI’s, ou até mesmo o pedido de avaliação científico pedagógica. Eu conheço alguns que se candidataram ao excelente, dizendo que o fizeram porque os sindicatos não souberam representar bem os professores. E também conheço quem tenha entregue os OI’s antes de ir para Belém gritar contra a ADD.

Fazem-me lembrar aquelas bravatas dos miúdos que no meio de uma briga gritavam: «segurem-me senão eu mato-o»