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Avaliação internacional aplaude reformas no ensino básico

O aplauso ao encerramento das “pequenas e ineficazes escolas do primeiro ciclo (do ensino básico)”, à “oferta da escola a tempo inteiro” e recomendações sobre o enriquecimento curricular integram os resultados de uma avaliação internacional a apresentar hoje.

Lê-se e cai-nos o queixo de espanto. O jornalismo de trazer por casa, alimentado pelas agências de comunicação, vai reproduzindo o que o poder quer e precisa para “animar a malta”, que anda muito deprimida.

O relatório encomendado (que nas notícias foi vendido como um estudo internacional independente), não passa de uma encomenda, segundo palavras dos próprios autores: «O Ministério pediu – e nós realizámos – uma avaliação totalmente imparcial e independente dos elementos mais importantes relativos à reorganização do primeiro ciclo do ensino básico.»

Na verdade nem precisamos de avançar muitas páginas na leitura para perceber quais as fontes consultadas e o nível de imparcialidade e independência do relatório. Basta chegar à Introdução (p.13), onde fica cabalmente esclarecida essa questão: «Agradecemos enormemente a ajuda e as informações fornecidas por várias pessoas durante a realização desta avaliação. O nosso trabalho foi facilitado pelo excelente Relatório Nacional elaborado antes da nossa visita e pelo programa bem planeado de reuniões e visitas, algumas das quais incluídas a nosso pedido com pouco tempo de antecedência.»

E para desfazer qualquer dúvida que ainda pudesse pairar em alguns espíritos (não fosse o “Relatório Nacional” obra de alguma entidade desconhecida), os autores continuam: «O nosso trabalho beneficiou do impressionante conjunto de dados prontamente disponibilizados pelo Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação (GEPE), que também nos deu total apoio logístico e proporcionou uma ligação próxima com o gabinete da Ministra.»

Peter Matthews, Reino Unido; Elisabeth Klaver, Holanda; Judit Lannert, Hungria; Gearóid Ó Conluain, Irlanda; Alexandre Ventura, Portugal

A partir daqui, sabendo quem forneceu os dados, para que necessitava do relatório e quem assinava o cheque, o que é que podíamos esperar de diferente?