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Na generalidade das escolas estamos a uma semana do fim do prazo para a entrega dos OI’s.

A resistência vai-se mantendo, com muitos professores a não fazerem a sua entrega, nos casos em que o prazo já expirou, e muitos mais dispostos a enfrentar as pressões e chantagens que os serviços desconcentrados do ME vão continuar a exercer.

As DRE’s e as EAE’s, sob a batuta da DGRHE, irão aumentar a pressão sobre os PCE’s, para que estes exijam aos professores que entreguem a famigerada folhinha com os objectivos.

O uso de informação pouco clara e até com interpretações ilegais da regulamentação existente, jogando com o medo e um deficiente conhecimento das leis, que é algo atávico entre os portugueses, constituem as formas de pressão a que é necessário resistir a cada dia que passa.

Importa, no entanto, fazer luz sobre esta insistência do ME em obter a toda a força a ficha dos OI’s de cada professor.

Para que serve hoje, a cinco meses do final do biénio em avaliação, exigir que os avaliados entreguem a ficha de OI’s? Porquê esta “birra”? Não poderia simplesmente passar-se à fase seguinte e dar indicações para que os itens a avaliar pelo PCE’s se reportassem exclusivamente à avaliação do desempenho do professor ao longo do biénio 2007/2009? Em que é que a entrega da ficha de OI’s vai alterar o desempenho que será objecto de avaliação?

Obviamente que nada se altera e que o professor não terá melhor nem pior desempenho, nem obterá melhor ou pior classificação, em função da entrega de uma ficha de definição de objectivos, em Janeiro de 2009.

Mas há aqui uma questão de marketing político que é crítica para o governo, como de resto toda esta questão da ADD é crítica para a agenda eleitoral do Partido da Situação (PS).

De resto, já no passado dia 19, dia da greve dos professores, o editorial do jornal oficioso do governo (DN) explicitava claramente o problema:

«Resta agora perceber que efeitos que isso teve nos próprios professores – são 140 mil ao todo, e desses muitos há que precisam da avaliação deste ano para subirem de escalão, outros haverá que estão cansados (económica e psicologicamente) desta luta tão comprida.
Em todo o caso, até ao final do ano, que é como quem diz até ao final da legislatura e eleições, haverá dois números-chave para a ministra da Educação e para todo este processo. Um será a adesão da greve de hoje. Aqui, os sindicatos levam uma certa desvantagem analítica, porque este estará sempre em comparação com o estrondoso número da greve de Dezembro. O outro número é mais real: será no final deste mês quando se souber quantos professores entregaram os objectivos individuais para serem avaliados. 
Esta equação permitir-nos-á avaliar, com toda a certeza, quantos professores já estão contentes com o modelo simplificado, quantos querem de facto ser avaliados. E no final se perceberá quem ganhou esta guerra. Se os professores ou o ministério.
»

Esta ligação abusiva entre a entrega de OI’s e uma recusa de avaliação, qualquer ela seja, que o ME paulatina e mentirosamente foi construindo, vai fazendo o seu caminho, como se percebe pelo raciocínio deste jornalista.

E se relativamente aos números da greve podemos afirmar, sem receio de desmentidos, que o número avançado pelo ME (41%) é absurdo e ridículo, isso também demonstra como o governo está disposto a tudo para vencer a batalha da opinião pública. Mesmo expondo-se ao ridículo perante 140 mil professores, ficam sempre muitos mais portugueses que se deixam convencer pelo que dizem os jornais e a televisão.

Se a isto o governo poder juntar o troféu de muitos milhares de fichas de OI’s entregues voluntariamente, então, como afirma o editorialista do DN, o governo chegará às eleições podendo cantar vitória.

Preparem-se pois, os colegas que já entregaram as fichas de OI’s (e todos os que ainda vão claudicar na resistência individual a esta ADD), para ouvirem nos primeiros dias de Fevereiro a ME ou algum dos seus SE a gabar-se, em todos os jornais e televisões, que os professores aceitaram o modelo de avaliação do ME e que de facto, andavam a ser manipulados por extremistas sindicais com intuitos meramente políticos.