Etiquetas

,

… são estes os sentimentos que me assaltam, ao ser confrontado com o discurso conformista e derrotista de muitos professores que desistiram de lutar e afirmam que vão entregar OI’s e/ou vão pedir a menção de Muito Bom e Excelente, dando total cobertura ao modelo de avaliação que até há duas semanas atrás juravam rejeitar.

Bem sei que a lista de professores e escolas que continuam firmes na sua resistência é  uma lista longa e com grande significado. Tal facto permite continuar a acreditar que a luta não está perdida e que a razão dos professores acabará por vencer:

  • Agrup. de Vila Nova de Foz Côa
  • Agrupamento Alfredo da Silva, Barreiro
  • Agrupamento da Sequeira, Guarda
  • Agrupamento da Trofa
  • Agrupamento de Escolas Anselmo de Andrade, Almada
  • Agrupamento de Escolas de Caramulo,
  • Agrupamento de Escolas de Odemira
  • Agrupamento de Escolas de Oliveira de Frades
  • Agrupamento de Escolas de S. Miguel da Guarda,
  • Agrupamento de Escolas de Santo Onofre, em Caldas da Rainha,
  • Agrupamento de Escolas de Valpaços
  • Agrupamento de Escolas de Vila Pouca de Aguiar 
  • Agrupamento de escolas de Vouzela
  • Agrupamento de escolas do Real, Braga
  • Agrupamento de Escolas Inês de Castro, Coimbra
  • Agrupamento de Escolas Luísa Todi, de Setúbal,
  • Agrupamento de Escolas Monsenhor Jerónimo do Amaral
  • Agrupamento de Vila Nova de Foz Côa,
  • Agrupamento Gândara-Mar, Tocha
  • Agrupamento Soares dos Reis, Vila Nova de Gaia
  • Agrupamento Vertical Clara de Resende, Porto,
  • E. S. Manuel Gonçalves, Odemira
  • E.S de Alfena, Valongo
  • E.S. Abade de Baçal, Bragança
  • E.S. António Aleixo, Portimão
  • E.S. c/ 3º CEB de Cristina Torres, Figueira da Foz,
  • E.S. com 3º ciclo do Entroncamento
  • E.S. D. Afonso Sanches, Vila do Conde
  • E.S. D. João II – Setúbal
  • E.S. D. Sancho I, Famalicão
  • E.S. da Gardunha, Fundão
  • E.S. da Sé, Guarda
  • E.S. de Alcaide de Faria, Barcelos
  • E.S. de Arganil
  • E.S. de Cinfães
  • E.S. de José Falcão, Coimbra,
  • E.S. de Lousada,
  • E.S. de Maximinos, Braga,
  • E.S. de Ourique
  • E.S. de Ponte do Lima
  • E.S. de S. Pedro, Vila Real
  • E.S. de Santa Maria da Feira
  • E.S. de Silves
  • E.S. de Vergílio Ferreira – Lisboa 
  • E.S. do Bombarral
  • E.S. do Entroncamento,
  • E.S. Emídio Navarro, Viseu
  • E.S. Fernão de Magalhães, Chaves
  • E.S. Frei Heitor Pinto, Covilhã
  • E.S. Gabriel Pereira de Évora,
  • E.S. Infante Dona Maria,
  • E.S. José Régio, Vila do Conde
  • E.S. Júlio Martins, Chaves
  • E.S. Marquês de Pombal, Lisboa
  • E.S. Pedro Alxandrino, Póvoa de stº Adrião
  • E.S. Sá de Miranda, Braga.
  • E.S. Severino de Faria, de Évora,
  • E.S. Vergílio Ferreira,
  • E.S./3 de Carregal do Sal,
  • E.S.de Silves 
  • Esc.Sec.de Stª Maria Maior,em Viana
  • Escola E.B.2,3 do Real, Braga
  • Escola Gabriel Pereira, Évora,
  • Escola José Régio, de Vila do Conde,

Mas a quatro dias de mais uma jornada de luta, ter sido confrontado com as posições medrosas de pessoas que tinham a obrigação de preservar a memória da luta contra o medo, foi e é demasiado doloroso de enfrentar.

Em quase todas as intervenções que tive (escritas aqui ou ditas em reuniões em que participei) sempre afirmei que o momento decisivo, que vai permitir distinguir os homens e mulheres dos fedelhos, vai acontecer na hora da entrega dos OI’s e mais tarde na recusa ou aceitação de participar na fantochada da auto-avaliação à luz deste modelo.

Porque participar numa manifestação, no meio de dezenas de milhar de outras pessoas, vindo em excursão, ou até faltar à escola num dia de greve, não é nada de difícil e que ponha à prova o carácter de alguém.

Difícil é dizer não. Difícil e corajoso é ter a capacidade de não pactuar e aceitar as consequências individuais dessa recusa.

Não sei, no momento em que escrevo, quantos professores vão entregar uma ficha com uns textos mais ou menos ridículos, a que pomposamente darão o título de Objectivos Individuais. Não sei, não faço a menor ideia se alguns desses colaboracionistas vão fazer greve no dia 19. O que sei é que, os que me dizem que vão entregar OI’s, o vão fazer porque “têm medo de ser prejudicados”.

A todos eles tenho que dizer, com a franqueza e a rudeza que me caracterizam, que no momento em que entregarem a tal fichinha ridícula, em que irão escrever umas frases que de “Objectivos Individuais” apenas terão o título, estarão a dar total razão a quem disse o seguinte:

  • «[os professores são] arruaceiros, covardes, são como o esparguete (depois de esticados, partem), só são valentes quando estão em grupo!» (Margarida Moreira – DREN, Viana do Castelo, 28/11/2008 )
  • «vocês [deputados do PS] estão a dar ouvidos a esses professorzecos» (Valter Lemos, Assembleia da República, 24/01/2008 )
  • «quando se dá uma bolacha a um rato, ele a seguir quer um copo de leite!» (Jorge Pedreira, Auditório da Estalagem do Sado, 16/11/2008 )
  • “admito que perdi os professores, mas ganhei a opinião pública” (Maria de Lurdes Rodrigues, Junho/2006)

Já quanto à questão recorrente do medo, tenho que lamentar a falta de memória dos portugueses em geral e dos professores portugueses em particular. Porque é de falta de memória que se trata quando alguém invoca o medo para justificar o colaboracionismo com os poderes instituídos.

Num país em que ainda estão vivos muitos cidadãos que, apesar do medo, arriscaram a vida, a saúde, a família e a liberdade, para lutar contra a ditadura, invocar o medo de “ser prejudicado na carreira” para justificar a entrega de OI’s é obsceno.

Num país em que os pais e os avós dos medrosos de hoje foram capazes de superar o medo e dizer NÃO, quando esse NÃO se podia traduzir em prisão, tortura e morte, vir agora invocar o risco de perder dois anos na carreira, para justificar o colaboracionismo e renegar as manifestações de 8/3/2008, 8/11/2008, 15/11/2008 e a greve de 3/12/2008, é obsceno e revoltante.

Não sei quantos seremos a resistir. Não sou capaz de prever se a greve de dia 19 vai ou não ter uma adesão significativa. Sei que na terça feira poderei entrar na minha escola de cabeça levantada, sem me envergonhar dos meus actos e com a consciência de ser um professor cumpridor e um cidadão de quem os meus descendentes se poderão orgulhar.