Etiquetas

,

Um grupo de PCE’s, da região centro, convocou para o próximo dia 10 uma reunião, na qual se propõem reflectir sobre o simplex avaliativo e as consequências da teimosia ministerial no trabalho docente e no serviço educativo que as escolas estão obrigadas a prestar aos seus alunos.

Não sei se a resposta a este apelo vai ou não ser significativa. Espero que compareçam algumas centenas de PCE’s mas, ao mesmo tempo, temo que a realidade destrua esse sonho.

Aos promotores e organizadores do encontro quero louvar a coragem demonstrada. A todos os restantes PCE’s (e há-os de todos os quadrantes políticos e escolhidos para o exercício do cargo nas mais diversas circunstâncias) deixo um apelo de coragem.

Desde o início de todo este processo (aulas de substituição não pagas, prolongamentos de horário e outras ilegalidades que precederam a aprovação do ECD) sempre considerei que a solução do problema estava nas mãos dos PCE’s.

Hoje são eles que voltam a poder tomar a iniciativa. Uma reunião com participação significativa, de onde saia uma resolução clara de rejeição deste modelo de avaliação, pode significar um passo decisivo para derrubar as políticas contra as quais nos batemos.

É por isso que durante a próxima semana (já a partir de amanhã) é preciso que cada um de nós incentive o seu PCE a estar presente e a defender a nossa causa, subscrevendo qualquer resolução que pare definitivamente com a palhaçada do simplex.

Temos que ter consciência de que não é uma decisão fácil de tomar para muitos PCE’s. Eles e elas são pressionados constantemente pela tutela, no sentido de constituirem a guarda avançada do ministério dentro das escolas. Ao mesmo tempo que lhes acenam com algumas regalias, usando a técnica do pau e da cenoura. É nesse contexto que temos que perceber a coincidência da publicação do simplex com as alterações à remuneração dos cargos de direcção.

Também aí é preciso ter coragem, uma vez que dizer não ao ME significa abdicar de um suplemento remuneratório que corresponde a 25% do salário de um professor no topo da carreira. E muitos PCE’s não estão no topo, auferindo salários menores.

É por tudo isso que o apelo à coragem, à verticalidade e à defesa da profissionalidade docente, contra o truque baixo, a negociata de interesses particulares e o autoritarismo do ME faz todo o sentido.

Todos nós sabemos que para o governo só interessa poder afirmar que “avaliou” os professores. Todos nós sabemos, e os PCE’s em especial, que o simplex não serve a escola, não serve as aprendizagens dos alunos e não serve o desenvolvimento profissional dos professores. Todos nós sabemos, e os PCE’s em especial, que o simplex ainda vai complicar mais a vida dos executivos, uma vez que sobre eles recairão todas as tarefas que antes eram partilhadas com outros órgãos da escola.

Por tudo isto, a palavra de ordem para dia 10 em Santarém só pode ser:

CORAGEM