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dsc016531 Em termos globais, sempre fui crítico da postura da maior parte dos PCE’s, que considero serem os grandes responsáveis pelo reforço do poder das estruturas regioniais e centrais do ME e pelo recuo (até mesmo apagamento) da democracia nas escolas. De um modo geral, aliada a uma enorme impreparação para a liderança escolar, a tendência para a subserviência ao poder central foi transformando profissionais eleitos pelos seus pares, para transitoriamente liderarem projectos educativos, em pequenos funcionários a quem a outorga de algum poder por parte da tutela foi transformando em tiranetes ou mandarins sem substância.

Evidentemente que as generalizações são injustas e até ofensivas para todos os que souberam resistir e conseguiram, nas suas comunidades, transformar-se em verdadeiros líderes profissionais, mantendo-se fiéis à sua origem de professores.

É, sem dúvida, o caso dos colegas que tomaram a iniciativa de convocar a reunião de PCE’s, que se vai realizar em Santarém, no próximo dia 10 de Janeiro. Como será o de todos os outros (que espero sejam centenas) que responderão à chamada.

Estes professores, ao contrário do que faz o funcionário do ministério Álvaro Santos, que conjunturalmente preside ao Conselho de Escolas, estão preocupados com a «intranquilidade que se vive nas escolas, a pressão da tutela para que desmintam informações que dêem o processo de avaliação como suspenso, quando essa é a realidade, de facto, num grande número de Escolas e, ainda, para que apliquem normativos cuja publicação ainda não ocorreu.»

Também ao contrário do que diz o funcionário Álvaro Santos, estes professores não abdicam de serem profissionais reflexivos e recusam-se a só terem que cumprir a lei, sobretudo quando ela não existe ou é contrária aos interesses da comunidade que visa servir.

Estes professores, porque são legítimos representantes de quem os escolheu para liderar as suas escolas, sabem que, como já escrevi em entrada anterior:

“A autoridade só é eficaz, na medida em que é legitimada pelos níveis inferiores da hierarquia da organização. O que significa que uma parcela do poder, que corresponde à legitimação da autoridade, pertence à base da pirâmide organizacional.” Morgan, G., Imagens da Organização