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Ontem cheguei à vigília na de Outubro 5 pouco depois da plataforma ter sido recebida por Jorge Pedreira e se ter ficado a saber que no dia 15 haverá uma reunião de AGENDA ABERTA e SEM CONDIÇÕES PRÉVIAS.

É sem dúvida uma boa notícia.

Conversando com alguns colegas, como não assisti em directo ao anúncio de que as greves regionais tinham sido desconvocadas, fiquei a saber que a vigilância e a mobilização sindical se mantém, apesar da abertura negocial verificada. Assim, para além da continuação da marcação da greve de 19 de Janeiro, a plataforma fez um apelo a que no dia 11 se realizem reuniões nas escolas, reiterando a suspensão efectiva do DR 2/2008 por parte dos professores. [Já Mário Nogueira frisou que, além das metas a prazo, a prioridade das estruturas é encontrar uma “solução não administrativa” para avaliar dos professores este ano. Mas também apelou a “todas” as escolas e aos professores que, no dia 11, tomem posições exigindo a suspensão.]

Passadas poucas horas soube, tal como toda a gente, que Jorge Pedreira se multiplicava em declarações à imprensa [“Perante a solicitação dos sindicatos de uma reunião sem pré-condições, nós que nunca exigimos condições prévias, disponibilizamo-nos para ouvir todas as questões que nos queiram colocar. Será efectivamente uma reunião com “agenda aberta”. Mas isto não significa – e fui bem claro para que não houvesse equívocos – suspender o processo de avaliação”.], a desmentir uma parte do que a plataforma sindical tinha anunciado, ao mesmo tempo que alguns funcionários faziam horas extra no ministério, para enviar emails às escolas e aos professores, com mais um comunicado do estilo dos do governo iraquiano, quando as tropas americanas estavam às portas de Bagdad.

Face a este “turbilhão desinformativo”, qual a atitude mais inteligente a tomar?

Em primeiro lugar temos que definir claramente o campo em que nos situamos: estamos do lado dos professores (somos um dos 130 mil que fizeram greve no dia 3), ou estamos do lado do ME, do governo e do PS?

É que se a posição for a de apoiar a ministra, o caminho a seguir será o de aplaudir a “esperteza saloia” demonstrada pela “armadilha” montada por Jorge Pedreira, a qual se terá traduzido numa emboscada (a chamada dos sindicatos ao ministério) seguida do seu assassinato (através do comunicado publicado no portal do ME e enviado por email aos professores. É o que têm feito os comentadores do PS, destacados para a provocação nas caixas de comentários dos blogues de professores, nos quais se demonstra a forma como o rei vai nú.

A solução a seguir por quem continua a defender a escola pública, para quem não abdica de ser professor, para quem sabe que é apenas uma questão de tempo a substituição desta legislação errada e injusta, é a de manter a serenidade, a vigilância e a determinação na luta.

O comunicado do ME não tem mais valor do que a reunião da semana passada no largo do Rato, ou do que as declarações que Filipe do Paulo foi induzido a fazer à saída dessa reunião, ou do que todos os anteriores emails que a DGRHE tem mandado aos professores. Por isso ninguém deve entrar em pânico, temendo termos sido “mais uma vez enganados”.

Não vai haver nenhum entendimento (parte II), nem houve qualquer capitulação dos professores ou dos seus representantes. A plataforma sindical sabe bem o que nós queremos e é só isso que tem que colocar em cima da mesa:

  • uma avaliação séria, justa e formativa;
  • uma solução transitória, este ano, com credibilidade e justiça;
  • negociação do ECD;
  • fim da divisão da carreira;
  • um modelo de avaliação formativo, a partir do próximo ano.

Mas a plataforma também sabe muito bem que:

  • os professores estão vigilantes e determinados;
  • que estamos dispostos a continuar a luta;
  • que estamos decididos a desobedecer a ordens injustas e ilegais e, por isso, disponíveis para promover a desobediência civil em relação ao modelo de avaliação que o ministério quer impor.

É tudo isto que os dirigentes sindicais têm que transmitir no dia 15, quando se sentarem à mesa das negociações. De forma clara e serena, mas com a determinação de se sentirem mandatados por mais de 130 mil professores, sindicalizados ou não.