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Os sinais já andavam por aí no ar.

Há muito que qualquer pessoa com espírito crítico se vem apercebendo que a tradição de debate, de confronto de ideias, de aceitação da diferença, são letra morta dentro da cabeça dos militantes do partido da rosa. Uma ou outra excepção honrosa apenas confirma a regra.

Os tiques autoritários foram o exemplo que veio de cima, se estendeu primeiro aos dirigentes próximos do líder e se foi espalhando, qual gangrena, até às bases militantes.

À medida que a crise de legitimidade vai aumentando, que o falhanço das políticas vai sendo desmascarado, o desespero e a angústia aumentam e com eles diminui a capacidade de aceitar a crítica, sem retorquir de forma acintosa, ou sem calar o(s) adversário(s).

Na educação já tinhamos assistido ao quero posso e mando da ex-sindicalista revolucionária que dirige o norte educativo. Há dias assistimos à forma arrogante como uma senhora, com um passado de responsabilidade nas políticas do ministério, do alto da sua “cátedra” achou que quem não pensa como ela sobre a ADD não percebe nada do assunto. No mesmo programa ouvimos, boquiabertos, uma dirigente de uma escola afirmar que havia coação física sobre os professores que defendem o modelo de avaliação do ministério.

Tenho amigos na escola que a senhora dirige. Sei tratar-se de uma comunidade escolar com um projecto educativo de grande exigência para todos os seus profissionais e com uma matriz próxima das ideias da escola moderna. Mas também sei que ali o clima de escola não é propício à discussão do modelo de avaliação, e que os “professores rasos” sentem receio de emitir opiniões contrárias à da presidente. Como sei que, em nome de um conceito de inclusão muito peculiar, alguns comportamentos disruptivos dos alunos são branqueados pela gestão. E se não dou “nomes aos bois” é porque isso poderia “causar problemas” a alguns dos amigos que lá trabalham.

Mas também pela blogosfera estes comportamentos censórios são usuais entre os apoiantes da rosa. É natural que alguns militantes do partido, ou simples aspirantes a algum destaque na sua secção, tenham criado os seus blogues. E é perfeitamente defensável que neles façam a apologia das medidas do governo que servem.

O que já é pouco natural e democrático é que não permitam comentários nos seus blogues, onde se possa fazer o debate e o contraditório, mas depois andem pelos blogues que elegem como “do inimigo” a fazer a sua propaganda, que em muitos casos mais não é do que um verdadeiro assassínio de carácter dos adversários políticos.

E até em blogues que por vezes eu frequentava, por neles encontrar algumas ideias interessantes e a merecer reflexão, o afunilamento democrático e o calar da voz a quem se lhes opõe, também faz o seu caminho. O caso mais recente é do blogue Inquietações Pedagógicas, no qual  a senhora que dirige a tal escola de que falei acima é uma das editoras.

Ontem, no seu blogue, deparei-me com a “estória” em que deturpa os episódios dos ovos e dos tomates, fazendo uma ligação espúria (e conveniente) com a recusa dos professores em relação ao modelo de avaliação e com a alegada intimidação física aos defensores desse modelo.

Fiz um comentário em que lhe solicitei a indicação de quem e em que circunstâncias foi coagido, por defender a ministra e a sua equipa. Confrontei-a com a falta de debate na escola que dirige e perguntei-lhe, afinal, quem coage quem?

Já tinha feito outros comentários em outras entradas do blogue. Estavam disponíveis e num caso houve até réplica por parte da senhora. Mas depois deste comentário, tudo foi apagado e, à hora a que escrevo, os comentários deixaram de estar disponíveis neste blogue sobre educação.

Para pessoas assim os portugueses têm que se sujeitar aos desejos do governo, porque este tem uma maioria absoluta que lhe permite impor o seu diktat sobre as minorias eleitorais. Pelo contrário, alguns portugueses que em relação a aspectos concretos são a maioria (esmagadora, como é o caso dos professores) têm que abdicar dos seus princípios, porque em democracia é preciso respeitar as minorias.

Curiosa esta concepção de democracia, em que os direitos das minorias e das maiorias variam em função do campo em que se situam os militantes socialistas.

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