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Na sequência de diversos emails, com que continuamente tenho sido bombardeado por diversos serviços do ministério da Educação, decidi enviar a seguinte resposta:

Exmo. Sr.
Agradeço que não continue a enviar-me mais mensagens electrónicas com propaganda a favor do modelo de avaliação instituído pelo DR 2/2008 e legislação subsequente.
Estou há muito tempo suficientemente esclarecido, para saber que se trata de publicidade enganosa.
De resto, aproveito para fazer algumas anotações que demonstram a bondade da interpretação que faço sobre o assunto:
  • O modelo “apenas” não prejudica nenhum professor no primeiro ciclo de avaliação, porque isso foi garantido com a manifestação de 8 de Março;
  • A atribuição generalizada da classificação de Bom, que desde a passada semana o ministério decidiu, trata-se de um plágio da decisão tomada pelo governo regional da Madeira, que em momento oportuno foi condenada pelo governo, pelo que não se percebe a sua adopção agora;
  • No meu caso, que é semelhante ao de muitos milhares de colegas meus, em centenas de escolas espalhadas pelo país, o despacho 20131/2008, assinado a 15 de Julho de 2008 pelo sr. ministro das Finanças e pela sra. ministra da Educação e publicado no DR n.º 146, 2ª série, no dia 30 de Julho de 2008, impede que me seja atribuída a menção de Excelente e obriga-me a concorrer contra uma dezena de colegas pela atribuição de três menções de Muito Bom. Como sempre considerei que o trabalho docente é essencialmente um trabalho cooperativo, e que deixa de fazer sentido se for executado em competição com os colegas com quem tenho que partilhar o processo de ensino dos meus alunos, não vejo como aplicar a noção de “aceleração” da progressão na carreira. Sem mencionar o facto de já me encontrar no topo da carreira, a menos que o governo tenha intenção de proceder à revisão do respectivo Estatuto.
Para além de tudo o mais, não acho razoável introduzir na carreira docente componentes de administração e gestão que impeçam que um professor atinja os níveis mais elevados dessa carreira exercendo apenas funções lectivas. A História da educação em Portugal está cheia de excelentes professores que nunca desempenharam funções de gestão intermédia e/ou de topo.
Tais funções deveriam integrar uma carreira paralela, à qual apenas poderiam aceder professores com formação específica e que regularmente teriam que regressar à prática lectiva em sala de aula.
Sem outro assunto,
cordialmente
Francisco Santos
Professor Titular do Departamento de Expressões do
Agrupamento de Escolas José Cardoso Pires
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